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Um ano de restrição de celulares nas escolas, é preciso avançar

Um ano após a proibição de celulares nas escolas, convivência resgatada e maior protagonismo docente se firmam, mas o desafio da educação digital persiste

(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
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  • Lei 15.100, de 13 de janeiro de 2025, proíbe uso de celulares nas escolas públicas e privadas durante aulas, recreios e intervalos, excetuando conforme orientação dos docentes para uso didático.
  • No primeiro ano, diretores, professores e famílias avaliam ganhos na convivência, no olhar e nas conversas presenciais; alguns alunos relatam hábitos diferentes nos intervalos.
  • A medida devolve protagonismo ao professor, que passa a decidir quando o celular pode ser ferramenta pedagógica, reduzindo distrações e interrupções em sala.
  • O texto enfatiza a necessidade de educação digital robusta, com foco em autocontrole, senso crítico e uso responsável, diante de impactos da IA e do conteúdo online.
  • Dados citados: Brasil tem uso elevado de dispositivos; TIC Kids Online 2024 aponta 83% de crianças e adolescentes nas redes; Lei 15.211/2025 (ECA Digital) entra em vigor em 17 de março de 2026, com verificação de idade e multas de até 50 milhões de reais para infrações.

Há um ano, o Brasil determinou o banimento nacional do uso de celulares nas escolas, público e privado, pela Lei 15.100 de 13 de janeiro de 2025. A norma permite aparelhos apenas sob orientação de docentes e com finalidade pedagógica, durante aulas, recreios e intervalos.

Diretores, professores e famílias avaliaram o efeito como positivo: a convivência escolar voltou a ganhar espaço, com menos distração e mais foco nas interações presenciais. Ao longo do ano, relatos de abstinência digital deram lugar a atividades como conversas, esportes e leitura.

A medida devolveu ao professor o papel de mediador e curador, restringindo distrações, mensagens entre alunos e interrupções sonoras. Em vez de respostas rápidas prontas, observou-se maior incentivo ao debate e à busca por soluções dentro da sala de aula.

Desafios atuais

Especialistas puxam o foco para a educação digital como complemento essencial, dentro e fora da escola. Crianças e adolescentes continuam entre os mais conectados do mundo, o que demanda formação de autocontrole, discernimento e senso crítico no ambiente online.

Além do conteúdo, cresce a preocupação com a qualidade de ensino diante da inteligência artificial. A neurociência aponta impactos na atenção e na tomada de decisão, fortalecendo a necessidade de estratégias pedagógicas que promovam pensamento crítico.

O Brasil avança na discussão de normas para plataformas digitais. Medidas globais visam proteger o público infantojuvenil e facilitar o controle parental, sem sobrecargas para famílias. A adoção de regras equilibradas permanece em debate.

Perspectivas legais e educacionais

A ECA Digital, Lei 15.211/2025, entra em vigor em 17 de março de 2026. O texto exige vínculo das contas de menores a um adulto, com multas de até 50 milhões de reais para infratores, e mecanismos de verificação de idade e denúncia.

A proposta destaca que a família continua protagonista na proteção online, sem deixar que as plataformas atuem sem responsabilidade. Medidas envolvem remoção rápida de conteúdos nocivos e combate ao cyberbullying.

Dados da TIC Kids Online 2024 apontam que 83% de crianças e adolescentes estão nas redes sociais, 24 milhões navegando. A pesquisa reforça a importância de educação digital como cidadania e ferramenta de inclusão, não apenas de controle.

A longo prazo, o Brasil busca equilíbrio entre liberdade digital e proteção, reconhecendo que a tecnologia é ferramenta de transformação. O objetivo é transformar educação em prática ética, crítica e responsável, sem abrir mão da inovação.

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