- PeNSE 2024 do IBGE aponta que 25% das meninas relataram perda de sentido na vida, o que é o dobro do registrado entre os meninos.
- A linha geral mostra que 28,9% dos estudantes se sentem tristes na maior parte do tempo ou sempre; entre as meninas, esse índice chega a 41%, e entre os meninos, a 16,7%.
- Sobre vontade de se machucar de propósito, 32% dos alunos relataram esse sentimento; 43,4% das meninas e 20,5% dos meninos reportaram essa vontade.
- Em relação a amizades próximas, 4,5% dos adolescentes não possuem amigos próximos; entre 16 e 17 anos, esse percentual sobe para 5,5%.
- Os resultados destacam a necessidade de investir em saúde mental, com atenção especial às meninas, e na implementação de políticas públicas que abordem essas disparidades de gênero.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira, revela dados preocupantes sobre a saúde emocional de jovens de 13 a 17 anos. Entre as meninas, 25% disseram ter perdido o sentido de viver, o que é o dobro do registrado entre os meninos. O estudo é a quinta edição do levantamento que acompanha hábitos e cuidados de saúde de adolescentes brasileiros.
Os resultados destacam questões ligadas à saúde mental, incluindo tristeza, irritabilidade e sentimentos de isolamento. Em síntese, a pesquisa mostra que o tema se tornou prioridade para políticas públicas, com diferenças significativas entre gêneros e faixas etárias.
Resultados principais
Entre os itens analisados, destaca-se que 4,5% dos adolescentes não têm amigos próximos, sendo mais comum entre 16 a 17 anos. Em relação ao sentimento de tristeza, 28,9% afirmaram sentir-se assim na maior parte do tempo ou sempre. No entanto, houve queda de 2,5 pontos percentuais em relação a 2019.
A irritabilidade também foi alta: 42,9% relataram irritação, nervosismo ou mau humor. Entre meninas, esse índice chega a 58,1%, bem acima dos meninos (27,6%). A comparação por faixa etária revela ainda maior irritabilidade entre meninas de 16 a 17 anos (59,5%).
Outro dado relevante aponta que 18,5% dos adolescentes afirmaram que a vida não vale a pena ser vivida na maior parte do tempo ou sempre. Meninas representam 25% desse grupo, contra 12% dos meninos. O relatório sublinha que essas situações exigem atenção de políticas públicas.
Contexto da pesquisa
A PeNSE 2024 avaliou estudantes de 13 a 17 anos matriculados e com frequência regular em escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Os respondentes tiveram garantia de anonimato ao preencher um questionário. Ao todo, mais de 100 mil resultados foram analisados.
O estudo abrange diversas temáticas: bullying, hábitos alimentares, atividade física, uso de tabaco e álcool, saúde sexual, situações em casa e na escola, saúde mental, segurança, saúde bucal, higiene e saneamento, imagem corporal e uso de serviços de saúde.
Dados por gênero e faixa etária
Na pergunta sobre amizades próximas, 4,8% dos meninos e 4,1% das meninas relataram não ter amigos próximos. Entre 13 a 15 anos, 3,9% não tinham amigos próximos; entre 16 a 17 anos, 5,5%. Conforme a idade aumenta, a ausência de amizades é mais frequente.
Sobre o sentimento de estar apenas, 19,0% dos meninos e 33,3% das meninas disseram sentir-se assim na maior parte do tempo ou sempre. Em termos de tristeza, 16,7% dos meninos e 41% das meninas relataram esse sentimento entre 13 e 17 anos.
Uso de serviços e apoio
A PeNSE também aborda acesso a serviços de saúde e suporte emocional. Diante de sinais de sofrimento, o texto recomenda buscar orientação em serviços especializados. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio 24h por dia pelo 188, chat ou site, com canais específicos para adolescentes em parceria com o UNICEF.
Onde buscar ajuda
Em momentos de dificuldade, o CVV oferece atendimento gratuito 24h por dia pelo número 188, chat online e site. O atendimento para adolescentes de 13 a 24 anos é feito pelo canal Pode Falar, com conversa por chat ou WhatsApp, mantendo o anonimato. Verifique horários no site oficial.
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