- Famílias de São Paulo se mobilizam contra o lançamento de um documentário da Brasil Paralelo gravado em aemei Patrícia Galvão, com previsão de estreia para o dia 20 de abril.
- Pais dizem que a autorização da gravação foi dada pela gestão de Ricardo Nunes sem informar direção, professores ou famílias sobre a abordagem do filme.
- A prefeitura afirma que o procedimento é padrão e que as gravações ocorreriam apenas em espaços sem alunos, enquanto a SPCine disse que houve autorização para gravações sem a presença de estudantes; um trailer mostra crianças em uniforme da rede municipal.
- O conteúdo divulgado critica matrícula obrigatória a partir dos 4 anos e defende que a educação precoce expõe crianças a determinadas ideologias; há registro de uma cena em que um cinegrafista é impedido de filmar um cartaz de Paulo Freire.
- Especialista em direitos humanos afirma que é essencial que pais sejam informados e que haja proteção aos direitos das crianças, com atuação das autoridades competentes para evitar uso indevido de imagens e garantir assistência psicossocial, se necessário.
O lançamento de um documentário da produtora Brasil Paralelo gerou reação de famílias em São Paulo. A gravação ocorreu dentro da Escola Municipal de Educação Infantil Patrícia Galvão, na região central, sem recebimento formal de comunicação aos pais, direções ou docentes sobre o tema.
Pais e educadores se mobilizaram para impedir a estreia prevista para o dia 20 de abril. A manifestação, marcada para hoje, vai reunir estudantes e docentes em frente à escola, com promessa de aula pública e ato pacífico em defesa da educação pública.
A gestão municipal, representada pelo secretário Ricardo Nunes, autorizou as gravações afirmando que a verificação legal de uso de imagem e participação de menores cabe aos produtores. A prefeitura não confirmou o conteúdo do documentário.
A secretaria de Educação afirma que o procedimento de autorização de gravações segue o protocolo padrão, utilizado em mais de 253 solicitações até 2026. Em 2025, o município autorizou mais de mil gravações, segundo a gestão.
Trechos divulgados indicam críticas à matrícula obrigatória de crianças a partir dos 4 anos e à ideia de que a escola promove ideologias por meio da educação precoce. O material também sugere questionamentos sobre a centralidade estatal na educação.
A direção da Emei informou que a prefeitura solicitou o espaço para a produção audiovisual e que não houve comunicação sobre o teor da produção nem sobre a participação da Brasil Paralelo nas gravações. A escola afirmou que a presença de crianças no trailer gerou questionamentos.
A Brasil Paralelo divulgou parte das imagens, incluindo cenas com imagens de Paulo Freire em salas usadas por alunos, o que gerou controvérsia. A produtora não respondeu aos contatos realizados pela Folha para esclarecer a autorização de filmagens de menores.
Especialistas ouvidos destacam a necessidade de autorização explícita de pais e responsáveis e de proteção à imagem de crianças. Técnicos apontam que a situação envolve o direito à privacidade, bem como responsabilidade institucional na comunicação de conteúdos.
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