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Defesa da família acompanha aumento da gravidez na adolescência

Estudo associa gestão de prefeitos ligados a grupos (neo)pentecostais a maior gravidez na adolescência e queda de vacinação HPV em municípios pequenos

Jovem grávida com as mãos sob a barriga
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  • Estudo aponta que prefeitos ligados a grupos (neo)pentecostais em municípios pequenos correlacionam com aumento da gravidez na adolescência; a taxa sobe de 7,5 para 10,5 nascimentos por mil meninas.
  • O efeito aparece entre as mais novas, ainda na escola quando o prefeito assume, e não entre as já formadas; a comparação usa vitórias apertadas em eleições de 2008, 2012 e 2016.
  • Além da gravidez precoce, houve recuo de 19 pontos percentuais na cobertura da vacinação contra HPV entre meninas de 9 a 11 anos; evasão escolar feminina sobe de cerca de 4% para quase 7%.
  • Em escolas municipais sob gestão direta da prefeitura houve queda de 12,5 pontos percentuais na oferta de educação sexual e maior rotatividade de diretores; o padrão não aparece nas estaduais fora do alcance do município.
  • Os autores não encontram mudança relevante na oferta de contraceptivos nas unidades básicas de saúde; apontam que o principal canal é a intervenção na escola e na informação, e não o acesso a insumos médicos.

Em fevereiro, ganhou força a discussão sobre o papel da família na política local e nas políticas públicas. Um working paper de economistas analisa a influência de gestores municipais em territórios com maior presença de grupos religiosos (neo)pentecostais sobre a saúde e a educação de adolescentes.

O estudo utiliza eleições de 2008, 2012 e 2016 em cidades com cerca de 20 mil habitantes para comparar mandatos de prefeitos ligados a legendas com histórico religioso. A hipótese é que a orientação religiosa possa moldar políticas de educação sexual e informativas para jovens.

O foco é nas meninas do ensino fundamental que estavam na escola quando o prefeito assumiu. Os resultados indicam aumento da gravidez na adolescência, além de queda na cobertura de vacinação contra HPV e elevação da evasão escolar feminina ao fim do ensino fundamental.

Resultados principais

Entre as meninas mais novas, que ainda estavam na escola, a taxa de gravidez subiu de 7,5 para 10,5 nascimentos por mil, um aumento de cerca de 40%. A faixa de 9 a 11 anos registrou queda de 19 pontos percentuais na cobertura de HPV.

A evasão escolar feminina subiu, passando de cerca de 4% para quase 7% ao final do ensino fundamental. Diagnósticos de sífilis também cresceram ao longo do período analisado. A oferta de educação sexual nas escolas municipais caiu, enquanto a rotatividade de diretores aumentou.

Implicações regionais

A pesquisa compara ainda escolas estaduais fora do alcance direto da prefeitura, onde o padrão não se repetiu. Não houve mudança relevante na oferta de contraceptivos nas unidades básicas de saúde, sugerindo que o principal canal é a intervenção educativa, não o acesso a insumos médicos.

Limites e apelo

Os autores enfatizam limitações, como não acompanhar cada menina ou medir conteúdos específicos de aula. Mesmo assim, o estudo corrobora a ideia de que campanhas de educação sexual reduzem gravidez precoce, enquanto políticas de abstinência tendem a ser menos eficazes.

Considerações finais

A análise aponta que, onde prefeituras com forte influência religiosa atuam na rede escolar, há retração de educação sexual e piora de indicadores de saúde e educação entre adolescentes. O texto ressalta a necessidade de avaliar políticas públicas pela efetividade, não apenas pela moral normativa.

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