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Quadro de saúde mental nas escolas demanda atenção e ações

PeNse mostra saúde mental de adolescentes em alerta: 30% tristes, 32% já pensaram em se machucar, 42,9% irritados; escolas precisam de acolhimento e ações

Saúde mental de alunos e professores é o principal desafio da gestão nos anos finais do ensino fundamental para 75,2% dos secretários municipais de Educação
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  • Pesquisas mostram que, entre 13 e 17 anos, três em cada dez se sentem tristes; 32% já tiveram vontade de se machucar; 42,9% estão irritados ou mal-humorados; 18,5% pensam que a vida não vale a pena.
  • Além disso, 18,5% já sofreram assédio sexual e 27,2% sofreram bullying duas ou mais vezes; os índices são maiores entre as meninas.
  • Quarenta e seis por cento dos estudantes do 8º e 9º ano não veem a escola como espaço de acolhimento, e 26,1% dizem que ninguém se importa com eles.
  • Em redes municipais, 75,2% dos secretários de Educação apontam a saúde mental de alunos e professores como principal desafio nas séries finais do ensino fundamental.
  • Para enfrentar o cenário, defendem-se medidas de acolhimento e pertencimento na escola, ampliação da educação em tempo integral, maior parceria com as famílias e ações de apoio, incluindo cursos gratuitos de saúde mental e políticas que conectem educação, saúde e assistência social.

Em 2024, estudo nacional aponta quadro grave de saúde mental entre adolescentes. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNse) avaliou 118.099 alunos de 13 a 17 anos em 4.167 escolas públicas e privadas, com dados representativos do país. A reportagem traz os principais números e impactos.

Três em cada dez estudantes nessa faixa etária disseram sentir tristeza constante e, entre 12 meses, cerca de 32% já tiveram vontade de se machucar. Quase metade (42,9%) relatou irritabilidade e mal-estar frequentes. Além disso, 18,5% pensam que a vida não vale a pena ser vivida.

Os resultados também evidenciam violências: 18,5% relataram assédio sexual e 27,2% sofreram bullying duas ou mais vezes. Mesmo com desigualdades modais, as meninas apresentaram indicadores mais elevados em todos os itens.

Desafios para as redes de ensino

A pesquisa realizada pelas redes municipais de educação, com apoio do Itaú Social e Undime, aponta que 75,2% dos secretários apontam a saúde mental como o principal desafio nos anos finais do ensino fundamental. Quase metade dos adolescentes do 8º e 9º anos não vê a escola como espaço de acolhimento.

Para enfrentar o cenário, especialistas defendem ações de acolhimento e de pertencimento, promovendo relações mais saudáveis entre alunos, professores e demais profissionais. O tempo de aula e de carga de trabalho dos docentes é citado como entrave para implementação de políticas de bem-estar.

Medidas e caminhos propostos

Especialistas sugerem ampliar a educação em tempo integral, reforçar o apoio psicológico nas escolas e ampliar parcerias com a família. Também é proposto aprimorar o letramento para identificar sinais de necessidade de encaminhamento a profissionais de saúde mental.

Ações incluem flexibilizar rotinas, criar protocolos locais de encaminhamento e incentivar atividades de artes, cultura e esportes na educação integral. O ECA Digital é citado como ferramenta para reduzir uso excessivo de telas e reforçar vínculos escolares.

Olhar para políticas públicas

Os dados reforçam a necessidade de políticas que integrem saúde, educação, assistência social e cultura. A implementação de diretrizes nacionais, com condições adequadas nas escolas, pode transformar políticas em práticas cotidianas. A atenção à equidade de gênero e raça também é destacada.

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