- O Supremo Tribunal Federal derrubou, por unanimidade, a lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades estaduais, alinhando-se à jurisprudência a favor de reservas por critério racial.
- A Lei de Cotas federal, de 2012 e atualizada em 2023, estabelece que metade das vagas em instituições federais são para quem cursou o ensino médio em escolas públicas, com parcelas por renda, deficiência e raça.
- O argumento de que o “negro rico” ocupa vaga de “branco pobre” não condiz com o funcionamento das cotas, já que o sistema é estruturado por critérios de renda e raça.
- Dados do Cedra indicam desigualdades persistentes: 42% das pessoas negras em Santa Catarina tinham renda de até um salário mínimo, frente 28% de pessoas brancas, além de menor rendimento em todos os níveis de escolaridade para negros.
- A decisão do STF reforça que as cotas raciais só poderão ser extintas quando não forem mais necessárias, condição que, segundo a matéria, ainda não se verifica.
O STF decidiu; em votação unânime, derrubou a lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades estaduais. A corte afirmou que a norma conflita com jurisprudência consolidada de reserva de vagas por critérios étnico-raciais. A decisão reforça o marco nacional das ações afirmativas no ensino superior.
A decisão veio após questionamento à lei catarinense, que buscava eliminar cotas para ingresso em instituições estaduais. A fundamentação aponta incompatibilidade com a estrutura das políticas de desigualdade já reconhecidas pelo STF. O tema segue gerando debates acalorados na sociedade.
Contexto nacional
Desde o início dos anos 2000, universidades introduziram ações afirmativas com base étnica, entre elas Uerj e UnB. Em 2012, com atualização em 2023, a Lei de Cotas fixou critérios para vagas em universidades e institutos federais.
A lei federal reserva 50% das vagas para estudantes que cursaram o ensino médio inteiro em escolas públicas. Em seguida, há subdivisões por renda, deficiência e raça, segundo a distribuição regional. A norma não admite concorrência apenas por raça.
A leitura comum é de que o critério de renda não substitui o impacto de fatores raciais na educação. Estudos apontam que a discriminação racial persiste e afeta oportunidades educacionais e resultados, mesmo com a renda controlada.
Santa Catarina em números
O governo catarinense alegou necessidade zero de cotas por ser o estado “mais branco”. Dados do Cedra indicam resistência a essa visão: 23,3% da população se declara negra, com desigualdades relevantes.
Entre negros, 42% tinham renda de até 1 salário mínimo, contra 28% entre brancos, segundo o levantamento de 2022. Em todos os níveis de escolaridade, negros apresentam rendimentos inferiores aos brancos.
Impacto e perspectivas
O debate permanece sobre a efetividade de ações afirmativas distintas de raça, apenas social. Pesquisas indicam que cotas sociais isoladas não costumam alterar o perfil de entrada e de permanência na universidade.
A decisão do STF sinaliza que cotas raciais devem continuar enquanto houver desigualdade de oportunidades. Os dados disponíveis apontam que as disparidades ainda persistem em diferentes fases da educação.
Entre na conversa da comunidade