- O levantamento PeNSE, com quase cento e vinte mil adolescentes de 13 a 17 anos em mais de quatro mil escolas, aponta dados alarmantes sobre a juventude brasileira.
- Vinte e seis por cento das estudantes relataram violência sexual; quarenta e três vírgula quatro por cento já pensaram em se machucar; um quarto considera que a vida não vale a pena; e 27,2 por cento sofreram bullying, especialmente por aparência, cabelo, corpo, raça ou religião.
- O uso de cigarro eletrônico quase dobrou, indo de 16,8% para 29,6%; mais da metade já consumiu álcool; 121 mil meninas nessa faixa etária já ficaram grávidas; quase quarenta por cento não usaram camisinha na primeira relação; 15,3% faltaram à escola por ausência de absorvente.
- Dados da Organização Mundial da Saúde destacam transtornos mentais entre adolescentes em escala global, com ansiedade e depressão entre as mais comuns; no Brasil, quase um em cada seis jovens de 10 a 19 anos vive com algum transtorno mental.
- O Orçamento Federal para infância e adolescência representa apenas 4,37% do total executado pela União; de 2023 a 2025, o gasto social com crianças e adolescentes caiu de R$ 265,9 bilhões para R$ 240,2 bilhões, uma redução de 9,6%, enquanto o investimento para educação infantil fica desfavorável em relação a esse recuo.
O IBGE divulgou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), com quase 120 mil adolescentes de 13 a 17 anos em mais de 4 mil escolas do país. O levantamento revela indicadores alarmantes sobre violência, saúde mental e comportamentos de risco entre os jovens, apontando falhas de proteção, dignidade e pertencimento. A PeNSE contextualiza o sofrimento adolescente como resultado de políticas públicas insuficientes e de uma percepção social da adolescência como etapa problemática.
Entre meninas, a violência sexual está presente em 26% dos relatos, chegando a quase 43% que já expressaram vontade de se machucar e 1 em cada 4 que não percebe a vida como valiosa. O bullying atingiu 27,2% dos alunos, com maior peso sobre aparência, cabelo, corpo e raça. O uso de cigarro eletrônico quase dobrou, atingindo 29,6%, enquanto mais da metade já experimentou álcool. Além disso, 121 mil meninas nessa faixa etária já engravidaram, e quase 40% não utilizaram camisinha na primeira relação.
Dados da PeNSE e impactos sociais
A escola aparece como espaço de proteção e, ao mesmo tempo, de dor, com o bullying echoando humilhação diária. Pesquisas sobre representações da adolescência indicam leitura negativa na mídia e uma visão acadêmica mais complexa, refletindo uma cultura que trata o adolescente como problema. O cenário global de incertezas, guerras e crise climática é citado como componente que agrava sofrimento psíquico entre jovens.
A saúde mental entre adolescentes é tema central. Estudos internacionais indicam que pelo menos 1 em cada 7 jovens tem transtorno mental, com depressão e ansiedade entre as condições mais comuns. No Brasil, dados da UNICEF apontam que quase 1 em cada 6 jovens entre 10 e 19 anos vive com transtorno mental, aumentando o risco de automutilação, depressão e suicídio. A OMS aponta que a saúde mental de jovens é fortemente influenciada por desigualdades sociais e contextos de crise.
Orçamento público e consequências
Relatório do Inesc, divulgado em 2025, mostra que o investimento federal em políticas para infância e adolescência representa apenas 4,37% do orçamento da União. O gasto social com crianças e adolescentes recuou de 265,9 bilhões de reais em 2023 para 240,2 bilhões em 2025, queda real de 9,6% em dois anos. A redução equivale a 24 vezes o valor investido em educação infantil.
Diante dos dados, o texto aponta contradição entre o aumento do sofrimento adolescente e a queda de investimentos públicos. A PeNSE revela uma realidade de vulnerabilidade que fica tensionada por políticas públicas insuficientes, pela maneira como a sociedade trata a adolescência e pela disponibilidade de recursos para proteção, saúde e educação.
Entre na conversa da comunidade