- Em 2025, 16% dos municípios brasileiros (876 cidades) têm pelo menos uma em cada dez crianças de quatro e cinco anos fora da creche ou pré-escola.
- Na região Norte, 29% dos municípios (130) têm menos de 90% das crianças matriculadas; no Sul, esse índice é de 11%.
- Em termos de atendimento de crianças de até três anos, 81% dos municípios (4.485) ficam abaixo de 60%; na região Norte, 94% estão nesse patamar.
- Entre as capitais, quatro já atendem 100% de crianças de quatro e cinco anos: Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte; os menores índices são em Maceió (64,8%), Macapá (71,4%) e João Pessoa (73,4%).
- O Ministério da Educação afirma que os indicadores oficiais são seguros e que o novo estudo busca maior precisão municipal para orientar políticas públicas.
Em 2025, a obrigatoriedade de educação infantil para crianças a partir dos 4 anos permanece em vigor no Brasil, mas ainda há famílias sem acesso. Dados apontam que 16% dos municípios, ou 876 cidades, têm pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos fora de creches ou pré-escolas.
A pior situação ocorre na Região Norte, onde 29% dos municípios podem ter menos de 90% de matrícula nessa faixa etária. Na Região Sul, o retrato é mais favorável, com apenas 11% dos municípios nessa condição. Os índices variam entre regiões, conforme o novo indicador de atendimento municipal.
O levantamento, desenvolvido pelo Iede em parceria com fundações e BID, utiliza dados do Censo Escolar, projeções do IBGE e informações do Datasus para estimar a cobertura anual. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira (29).
Matrículas em creches
Entre os 4 e 5 anos, o Brasil registra que 81% dos municípios têm taxas inferiores a 60% de atendimento. Na Região Norte, 94% ficam abaixo desse patamar, totalizando 424 cidades com menor cobertura.
Outras regiões apresentam registros altos de déficit: Centro-Oeste tem 90% dos municípios com taxas abaixo de 60%, Sudeste 83%, Nordeste 81% e Sul 66%. Esses números indicam concentração de baixa oferta em várias localidades.
Na prática, há cidades que ainda não garantem vaga para a maioria das crianças até os 3 anos em creches. Entre as capitais, apenas Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte chegaram à universalização do atendimento de 4 e 5 anos, com 100% matriculados.
Os menores percentuais entre as capitais são observados em Maceió (64,8%), Macapá (71,4%) e João Pessoa (73,4%). Em relação ao atendimento de bebês e crianças até 3 anos, São Paulo lidera com 72,9% de matrícula, seguido de Vitória e Belo Horizonte.
Importância para os municípios
O novo indicador não é oficial, mas oferece visão mais granular do cenário municipal, apontando caminhos para a busca ativa de crianças fora da escola. A educação infantil é da responsabilidade dos municípios, segundo a Constituição, e o monitoramento pode orientar políticas locais.
Ernesto Martins Faria, diretor executivo do Iede, afirma que dados municipais ajudam a planejar ações para localizar crianças fora da escola e ampliar o acesso. A ferramenta utiliza informações do Censo Escolar e projeções do IBGE.
O MEC ressaltou que seus indicadores oficiais são seguros e consistentes para acompanhar metas do PNE e orientar políticas públicas. A pasta cita o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil como um marco de cooperação entre entes federados.
Investimentos e metas do governo
O Ministério da Educação destaca o Novo PAC como instrumento de expansão de vagas. Até o momento, foram entregues 886 unidades de educação infantil, com investimento de 1,4 bilhão de reais. O pacote prevê mais 1.684 novas creches e escolas, beneficiando 1.438 municípios, com investimento total de 7,5 bilhões de reais.
Além disso, o governo trabalha na retomada de obras paralisadas. Das 1.318 unidades que demonstraram interesse em retomar, 904 foram aprovadas e 278 concluídas, com potencial para mais de 323 mil vagas em dois turnos.
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