- A Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, ganhou o prêmio mundial de melhor escola na categoria “Superação de adversidades” em 2025, entre mais de dez mil escolas de cem países.
- Hoje a unidade abriga 1,2 mil alunos, tem lista de espera para matrículas e oferece mais de cinquenta projetos esportivos e culturais; anteriormente, com 116 alunos, o local enfrentava violência e abandono.
- O reconhecimento levou à criação da Rede Escolas dos Sonhos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para replicar o modelo em cem escolas da rede estadual.
- O dirigente Regis Marques adotou abordagem de escuta, parcerias com a iniciativa privada e visitas às famílias; docentes como Helena dos Santos Hora investiram recursos próprios em projetos que hoje envolvem a seleção brasileira de patinação artística.
- Dados de desempenho mostram avanços: no Saresp, proficiência de língua portuguesa no nono ano saiu de 225,5 em 2015 para 250,9 em 2025 e a matemática de 256,2 para 284,5; o Ideb dos anos finais subiu de 3,8 em 2013 para 5,6 em 2023, com evasão próxima de zero.
A Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, rodou de uma imagem de risco para reconhecimento mundial ao vencer, em 2025, o prêmio de melhor escola do mundo na categoria Superação de adversidades, da organização britânica T4 Education. A mudança ocorreu ao longo de mais de uma década de mudanças estruturais e investimentos comunitários.
Com 1,2 mil alunos hoje, o prédio que antes recebia 116 estudantes tem uma lista de espera para matrículas e oferece mais de 50 projetos esportivos e culturais. Inovação em patinação, teatro, vôlei e produção de podcasts compõem o leque de ações que sustentam a transformação.
A região do Jardim Real recebeu a escola com histórico de violência, pouca presença do Estado e infraestrutura precária. Em décadas, o local viu furtos, invasões e falta de vigilância, impactando diretamente o cotidiano da instituição.
Transformação e marcos do período
Para o diretor Regis Marques, os projetos não são extracurriculares, mas pilares estratégicos que empoderam os alunos e reduzem a participação de jovens em ações de risco. O campus passou a oferecer 50 iniciativas voltadas a esporte, cultura e comunicação.
A professora Helena dos Santos Hora, que chegou em 2017 com patins doados, investiu ao longo de nove anos quase 20 mil reais do próprio salário em ações que hoje formam equipes de competição nacionais, incluindo a seleção brasileira de patinação.
Outra professora, Roseli dos Santos Nascimento, trouxe o vôlei e ajudou a equipe mirim a vencer os Jogos Escolares do Estado de São Paulo. O envolvimento das famílias começou a ocorrer com visitas domiciliares, prática conhecida como Escola vai à sua casa.
O número de evasão caiu de forma expressiva desde 2016, ocorrências disciplinares recuaram em 80% e as matrículas cresceram mais de 400%, segundo o diretor. Em muitos casos, alunos chegam às 7h, treinam à tarde e retornam à escola à noite.
A parceria com o setor privado também ganhou fôlego: a primeira grande contribuição veio do Itaú Social, com apoio de 100 mil reais para reformas. A rede de apoios hoje envolve mais de 10 patrocinadores entre empresas, institutos e vereadores.
Replicação do modelo e ações governamentais
Em 2025, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) criou a Rede Escolas dos Sonhos para replicar o método de Cubatão em 100 unidades da rede estadual, com foco em vulnerabilidade social, histórico de conflitos e engajamento da gestão.
O objetivo é manter a essência do método: não violência, projetos culturais e esportivos, além de pedagogia da presença. As formações e visitas às unidades ocorreram dentro da estrutura da Seduc-SP, sem orçamento adicional.
A meta é ampliar a atuação para unidades com perfil semelhante ao da Parque dos Sonhos, mantendo o princípio de participação da comunidade e articulação com o setor privado para suprir lacunas.
Ressalta-se que o programa também prevê ações locais, como a residência de diretores e equipes em rede com institutos de educação para troca de experiências. Além disso, há planos de desenvolver uma rede internacional de cooperação, com escolas da região.
Resultados e perspectivas de longo prazo
Estudos com dados do Saresp e Saeb indicam avanços na proficiência de língua portuguesa e matemática entre o 9º ano, com melhora histórica em várias disciplinas. O Ideb também registrou crescimento entre 2013 e 2023, refletindo melhoria de aprendizagem e permanência.
O programa da Seduc-SP prevê futuras formações para as escolas replicantes sem custo adicional, priorizando ações que mantenham o foco na presença educativa, além de manter o diálogo com comunidades locais e Famílias.
O diretor Regis Marques aponta a construção de uma rede internacional, conectando escolas no Uruguai, Argentina, Venezuela e outros estados brasileiros, para compartilhar práticas inspiradas em Paulo Freire, Gramsci e outras referências.
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