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Alunos das estaduais de SP se unem por bolsas, moradia e alimentação

Estudantes das três universidades estaduais de São Paulo pressionam por bolsas, moradia e alimentação, em meio à incerteza sobre o financiamento via ICMS

Estudantes das universidades estaduais de São Paulo protestam contra reitores e governador - Danilo Verpa / Folhapress
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  • Estudantes da USP, Unesp e Unicamp se mobilizam para cobrar políticas de permanência, moradia e alimentação, com foco em ampliação de bolsas e melhoria dos restaurantes universitários.
  • O debate envolve financiamento estatal via ICMS, que hoje corresponde a 9,57% da arrecadação distribuídos entre as três universidades (USP 5%, Unicamp 2,2%, Unesp 2,37%), e o risco de redução com a transição para o IBS até 2033.
  • A reforma tributária de 2024 pode reduzir a participação dessas instituições na arrecadação, a menos que haja emenda constitucional para manter o vínculo financeiro ou buscar nova base de recursos.
  • A situação provoca tensões internas: na USP há greve estudantil há quase três semanas; na Unesp há paralisação prevista para os dias 4 e 5, com demandas por moradia, restaurantes e valorização dos auxílios.
  • Em resposta, a reitoria da USP apresentou reajuste de bolsas e propostas de melhoria nos serviços de alimentação, enquanto a Unicamp enfatiza necessidade de investir em moradia, docentes e servidores; as três universidades pedem posição do governador Tarcísio de Freitas sobre um novo modelo de financiamento.

Os estudantes das três universidades estaduais de São Paulo se mobilizam para cobrancar melhorias em bolsas, moradia e alimentação. O movimento envolve USP, Unesp e Unicamp e aponta para alterações no modelo de financiamento estadual e na qualidade dos serviços, com foco na permanência dos alunos.

A cobrança é dirigida aos reitores, que seriam acionados para ampliar moradia estudantil e restaurantes universitários, e ao governador Tarcísio de Freitas, que enfrenta pressão por um novo modelo de financiamento. Hoje, as instituições recebem parte fixa da arrecadação do ICMS, mecanismo criado em 1989.

O impasse decorre da reforma tributária aprovada em 2024, que prevê a substituição do ICMS pelo IBS até 2033. Sem mudança na base de financiamento, as universidades devem receber menos proporcionalmente, mesmo que o imposto total arrecadado seja mantido. A Assembleia Legislativa ainda não votou proposta de emenda.

Essa indefinição preocupa reitores e estudantes, segundo apuração da Folha. O quadro alimenta tensões internas, com demandas comuns como moradia, permanência e melhoria na oferta de serviços. Em paralelo, as universidades buscam preservar autonomia financeira.

A greve na USP

Na USP, um movimento estudantil em greve já soma quase três semanas, com adesão de todas as faculdades. A pauta central inclui aumento de bolsas integrais de 885 para aproximadamente 1.804 reais e melhoria na qualidade dos restaurantes universitários. Também há cobrança por novas ações de permanência.

A reitoria já propôs reajuste no Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil, com correção pelo IPC-Fipe. A bolsa integral passaria a 912 reais e a modalidade com moradia subiria para 340 reais. No entanto, o movimento não fechou acordo.

A universidade tem adotado medidas administrativas relacionadas ao calendário e aos espaços estudantis, enquanto a negociação segue sem consenso. Governo, reitores e estudantes mantêm a comunicação em aberto para avanços.

Situação na Unicamp

Na Unicamp, a pressão se volta para ampliar investimentos em moradia, contratação de docentes e serviços, além de ampliar a oferta de cursos. Professores e alunos apontam necessidade de reformas estruturais e de expansão de vagas com foco em acesso e permanência.

O campus de Limeira é citado como exemplo de déficit de moradia, destacando a lacuna de serviços entre unidades da instituição. A gestão afirma que o orçamento de permanência atingiu recorde em 2026, com 110,7 milhões de reais, e que 17 unidades já contam com restaurante, com previsão de abrir outra unidade ainda neste ano.

Situação na Unesp

A Unesp, mais presente no interior, é a mais pressionada pela ampla rede de campi. Os estudantes aprovaram paralisação para segunda e terça-feira, com foco em restaurantes, permanência e moradia, bem como na precarização do quadro de servidores.

Dos 24 campi, apenas 13 oferecem moradia estudantil. Doze contam com restaurante universitário subsidiado e seis com cantinas, somando cerca de 5 mil refeições diárias. Relatos de infraestrutura precária e refeições com erros aparecem entre as queixas.

Além disso, alunos reivindicam reposição de vagas para repor aposentadorias e desligamentos. A reitoria informou que, em 2025, a permanência atendeu 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio, marco recorde, e que 110,7 milhões de reais foram destinados à permanência em 2026.

Na repressão do movimento, parte dos estudantes reclama que o custo de vida no estado compromete a permanência, levando a evasão e atraso na conclusão dos cursos.

Na tarde desta segunda-feira, 4, estudantes das três universidades se reuniram em protesto em frente ao Cruesp, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, na região central de São Paulo, cobrando respostas aos temas de moradia, alimentação e financiamento público.

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