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Brasil tem desempenho de linguagem na pré-escola, mas falha em matemática

Brasil tem bom desempenho em linguagem, mas desigualdades em matemática na pré-escola apontam necessidade de políticas na primeira infância

Entre crianças de famílias mais ricas, 80% dominam o reconhecimento de números aos cinco anos. Entre as mais pobres, esse índice cai para 68% - (crédito: Reprodução/Freepik)
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  • Estudo internacional da OCDE com oito países mostra que crianças brasileiras de cinco anos têm 502 pontos em literacia, ligeiramente acima da média global, de 500 pontos.
  • Em numeracia, a média brasileira é de 456 pontos, significativamente abaixo do padrão mundial.
  • Desigualdades aparecem cedo: 80% das crianças de famílias mais ricas reconhecem números aos cinco anos, frente a 68% entre as mais pobres; diferenças se ampliam em tarefas mais complexas.
  • Desempenho em habilidades executivas (memória de trabalho, autocontrole, flexibilidade, planejamento) fica abaixo da média internacional, com maiores disparidades conforme a condição socioeconômica.
  • Ambiente familiar influencia o desenvolvimento: leitura para as crianças é menos frequente, atividades ao ar livre ocorrem menos, e metade usa dispositivos digitais todos os dias, itens associados a menor desempenho.

Crianças brasileiras de 5 anos apresentam desempenho acima da média em linguagem, mas ficam atrás em matemática ainda na pré-escola. O estudo internacional IELS, da OCDE, foi divulgado nesta terça-feira (5/5) em nove países, incluindo o Brasil, com dados coletados na infância.

No Brasil, a literacia ficou em 502 pontos, acima da média global de 500. Já a numeracia alcançou 456 pontos, significativamente abaixo da média internacional. O estudo aponta maior desigualdade na matemática entre crianças de diferentes famílias.

Entre os aspectos relevantes, o IELS revela que a linguagem apresenta distribuição mais homogênea entre classes sociais, enquanto a matemática concentra as maiores desigualdades, já aos cinco anos. Entre famílias mais ricas, 80% dominam reconhecimento de números; entre as mais pobres, são 68%.

Desigualdades começam cedo

Os pesquisadores destacam que as diferenças associadas a renda, raça e contexto familiar já se manifestam na educação infantil. Tiago Bartholo, da UFRJ, afirma que quando fatores sociais se combinam, as disparidades se ampliam.

O estudo aponta também o papel das habilidades executivas — memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e planejamento — como base do aprendizado. Brasil fica aquém da média internacional nessas funções, com variação por contexto socioeconômico.

Ambiente familiar e rotinas influenciam

Dados indicam que o ambiente doméstico molda o desenvolvimento. Práticas como leitura para as crianças são menos frequentes no Brasil, em comparação com outros países. Atividades ao ar livre e conversas sobre sentimentos também aparecem com menor frequência.

O uso diário de telas é elevado no país; metade das crianças utiliza dispositivos todos os dias. A pesquisa associa esse hábito a menores níveis de aprendizagem, sobretudo em linguagem e matemática.

Amostra e alcance do estudo

Foram avaliadas 2.598 crianças em 210 escolas de São Paulo, Ceará e Pará, envolvendo rede pública e privada. Os resultados reforçam a necessidade de ações integradas para reduzir desigualdades desde a primeira infância, indo além do ambiente escolar.

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