- Nesta primeira participação do Brasil, foram avaliadas 2.598 crianças em 210 escolas (80% públicas e 20% privadas), nos estados Ceará, Pará e São Paulo.
- No domínio de literacia emergente, as crianças ficaram com 502 pontos, acima da média internacional de 500.
- Em numeracia emergente, a pontuação foi 456, 44 pontos abaixo da média internacional de 500, indicando dificuldades com noções de matemática.
- Na dimensão socioemocional, houve destaque na empatia: 501 pontos na atribuição de emoções e 491 na identificação de emoções.
- Disparidades socioeconômicas aparecem em funções executivas: memória de trabalho atingiu 487 pontos entre renda alta e 448 pontos entre renda baixa, diferença de 39 pontos.
O Brasil participa pela primeira vez do IELS, estudo internacional da OCDE que avalia o desenvolvimento infantil. A edição brasileira envolveu 2.598 crianças, distribuídas em 210 escolas de redes pública (80%) e privada (20%), localizadas nos estados de Ceará, Pará e São Paulo. A pesquisa busca compreender habilidades como linguagem, raciocínio lógico e funções executivas desde a educação infantil.
Os resultados indicam que, nesses estados, as crianças apresentam desempenho acima da média internacional em atividades de linguagem e compreensão de narrativas, bem como em habilidades socioemocionais como empatia. Já as noções matemáticas aparecem com menos fôlego, com desempenho abaixo da média internacional na numeracia emergente. O estudo ressalva que os números não devem ser interpretados como um indicador nacional definitivo, mas como indicação de tendências para o território.
Desempenho global e métodos da pesquisa
A avaliação utiliza domínios que priorizam campos de experiências integrados, com foco em interações e brincadeiras. A pontuação média de literacia emergente ficou acima da referência global, enquanto a de numeracia emergente ficou 44 pontos abaixo, sinalizando desafio em primeiras noções de matemática.
Na esfera socioemocional, crianças de até cinco anos tiveram destaque em empatia, com altas pontuações para atribuição e identificação de emoções. Em funções executivas, relacionadas ao controle de impulsos e atenção, a memória de trabalho ficou 467 pontos (32 abaixo da média internacional) e a flexibilidade mental registrou 473 pontos (27 abaixo da média).
Desigualdades e implicações
O levantamento aponta disparidades socioeconômicas significativas na memória de trabalho, com crianças de renda baixa atingindo 448 pontos, contra 487 pontos para as de renda alta. A diferença de 39 pontos é a maior entre os extremos avaliados, sugerindo impactos na aprendizagem ao longo da trajetória escolar. Em termos de sexo, raça e cor, as médias apresentaram variações menores entre os grupos.
O relatório da OCDE destaca que os achados devem ser acompanhados com atenção, pois as funções executivas são bases para o aprendizado. O estudo é conduzido pela OCDE desde 2012, com apoio técnico do LaPOpE/UFRJ. O Brasil é o único país da América Latina participante, com coordenação de instituições vinculadas à Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
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