- A Unicef alerta para o uso cada vez mais frequente de IA generativa por crianças e adolescentes, citando exemplos como ChatGPT e Gemini, com riscos que vão desde desinformação até conteúdos sexualmente explícitos.
- A pesquisadora Adriele Maschesini destaca fases do desenvolvimento infantil (0 a 7 anos) e afirma que a interação humana é essencial para a formação cognitiva e afetiva, enquanto o uso excessivo de telas pode impactar tempo, atenção e aprendizagem.
- O antropólogo Victor Eiji Issa apresenta o conceito de brainrot, descrevendo a sobrecarga mental causada pelo volume de informações geradas por tecnologias digitais e seus efeitos no cérebro e no estresse.
- Professora Adriele defende diretrizes para uso responsável da IA na infância, comparando ao aprendizado com ferramentas como a calculadora e defendendo educação que desenvolva raciocínio crítico e leitura/escrita.
- O material enfatiza o papel da escola, da família e da sociedade na construção da intencionalidade tecnológica das crianças, promovendo uma educação formativa em vez de apenas informativa.
A Unicef alerta para os riscos do uso de inteligência artificial por crianças e adolescentes, destacando a presença crescente de IA generativa no cotidiano, com destaque para ChatGPT e Gemini. O alerta aponta conteúdos prejudiciais e desinformação como principais preocupações.
Especialistas ouvidos destacam impactos no desenvolvimento infantil. A pesquisadora Adriele Maschesini, da USP, explica que as fases da primeira infância concentram aprendizado afetivo e cognitivo, tornando o tempo de interação humana essencial. Substituir isso por telas pode gerar efeitos ainda não estudados.
A discussão também aborda adolescentes, reconhecendo que o cenário é complexo e envolve desinformação e conteúdos inadequados, independentemente da origem da geração de conteúdo. A leitura crítica e o contexto social são citados como fatores determinantes para o consumo seguro.
Limites e recomendações para a IA
Para Adriele Maschesini, é preciso estabelecer diretrizes que orientem o uso responsável da IA, respeitando as etapas de desenvolvimento. Ela compara o papel da IA com a calculadora: é ferramenta, não substituta do aprendizado básico, que precisa de regular avaliação crítica.
A pesquisadora ressalta que a IA invadiu áreas de produção escrita e leitura nas quais crianças estão em estágio de formação de linguagem. A regulação pode definir códigos de conduta para usos aceitáveis, alinhados a objetivos pedagógicos.
Outra pesquisadora, Mariane Wolff, destaca que leitura profunda é construída com prática e exposição humana. A IA deve ser integrada a uma educação que estimule desenvolvimento cognitivo e formativo, não apenas a transmissão de informações.
Brainrot e sobrecarga mental
Victor Eiji Issa, doutor em Antropologia, aborda o conceito de brainrot, associando a sobrecarga de informações a impactos neurológicos. Ele aponta que o uso excessivo de telas eleva o cortisol, contribuindo para estresse e dificuldade de foco.
Issa alerta que pais utilizem dispositivos com objetivos educativos e que haja momentos de descanso. O objetivo é preservar a capacidade de atenção e o bem-estar mental enquanto a tecnologia é integrada à aprendizagem.
Como atuação prática
Adriele Maschesini defende que a educação precisa combinar uso responsável da IA com práticas de leitura e escrita que desenvolvam circuitos cerebrais. Ela sugere que a tecnologia seja usada com finalidade pedagógica, sob supervisão e com avaliação crítica dos resultados.
A pesquisadora reforça que a IA generativa não é uma solução única, e que famílias, escolas e sociedade têm papel conjunto na formação de uma mentalidade tecnológica responsável. O debate envolve educação, ética e políticas públicas que orientem o uso da IA.
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