- Universidades estaduais de São Paulo vivem mobilizações estudantis por permanência estudantil, moradia e alimentação; paralisações seguem na USP desde 14 de abril, com a Unesp sinalizando adesão nos dias 5 e 6, e a Unicamp discutindo uma assembleia para 7 de maio.
- Na Unesp, alunos denunciam falta de docentes, sobrecarga de servidores e dificuldade de permanência; a reitoria informou que 17 unidades já possuem restaurante universitário e que outro deve ser inaugurado ainda neste ano.
- O estopim foi a morte da professora Sandra Regina Campos durante uma aula no Instituto de Artes (São Paulo); a direção reconhece falhas no protocolo de emergência, mas afirma que o atendimento seguiu procedimentos de suporte à vida.
- Na USP, negociações com o movimento estudantil terminaram sem acordo após três rodadas; o principal impasse é o valor do auxílio Papfe, com propostas de reajuste baseadas na inflação contra a defesa de equiparação ao salário mínimo paulista.
- Além dos estudantes, docentes e servidores também encaminham pleitos; o Cruesp encerrou negociações sem acordo salarial, com nova reunião prevista para 11 de maio, em meio a debates sobre o financiamento público das universidades e a reforma tributária.
O movimento de estudantes das universidades estaduais de São Paulo ganha relevância pela cobrança de melhorias na permanência estudantil, moradia e alimentação. Desde 14 de abril, a USP vive greve estudantil; a Unesp sinalizou paralisações nos dias 5 e 6; a Unicamp decidirá em assembleia no dia 7. A mobilização também envolve docentes e servidores, que pedem recomposição salarial.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes da Unesp, a crise atinge a qualidade de ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil. Em resposta, a reitoria informou que 7.746 graduandos receberam algum tipo de auxílio em 2025, representando mais de 20% do total. Além disso, 17 unidades já contam com restaurante universitário, com mais uma previsto para este ano.
A morte da professora Sandra Regina Campos, ocorrida durante uma aula no Instituto de Artes, em São Paulo, em 7 de abril, é apontada como gatilho da mobilização. Estudantes relatam ausência de política de emergência médica na instituição e questionam o protocolo de atendimento. A direção da Unesp reconhece falhas na resposta, embora afirme ter seguido procedimentos de suporte básico e avançado.
Unesp: reivindicações e contexto
Alunos do Instituto de Artes continuam paralisados. A tensão envolve a necessidade de reforço de docentes, menor sobrecarga de servidores e caminhos estáveis para a permanência estudantil. A universidade informa que diversos restaurantes já funcionam e há projeção de ampliação de serviços.
USP: negociações encerradas
Na USP, as negociações foram encerradas pela reitoria após três rodadas sem acordo. O principal impasse envolve o valor do PAPFE, o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. A reitoria propôs reajuste com base na inflação, elevando o benefício integral para 912 reais, enquanto estudantes defendem valor correspondente a um salário mínimo paulista, hoje em torno de 1.804 reais.
Mais de 100 cursos continuam paralisados. A administração afirma ter apresentado propostas, e o movimento estudantil critica a falta de diálogo efetivo. O governador do estado, o mesmo que participou do debate, sinalizou posição crítica ao movimento, ressaltando a prioridade de estudo e sugerindo cunho político na greve.
Unicamp: perspectiva de greve
Na Unicamp, estudantes vão discutir a possibilidade de greve em assembleia marcada para 7 de maio. Entre as pautas estão reforma da moradia estudantil em Limeira, ampliação de serviços de apoio à violência, étnico-racial e psicológicos, além de evitar a privatização de áreas de saúde vinculadas à universidade, como hospitais universitários e centros de saúde mental.
Negociação de docentes e servidores
Paralelamente, docentes e servidores também buscam reajuste. O Cruesp, órgão que reúne reitores, encerrou sem acordo com o Fórum das Seis, que representa trabalhadores e alunos. O índice oferecido foi de 3,6% para a inflação estimada, com a reivindicação de recuperação salarial desde maio de 2012, estimando 15,97%. A discussão sobre o financiamento público das universidades permanece como tema central, com a proposta de reforma tributária potencialmente reduzindo receitas futuras.
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