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Especialistas apontam efeitos negativos de ultraprocessados na saúde de alunos

Especialistas alertam que ultraprocessados em cantinas elevam obesidade e cáries em crianças; Senado analisa projeto de proibição e orientações de alimentação escolar

Mesa: tecnologista da Coordenação-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde (SAPS/MS), Marcus Cristian Muniz Conde; coordenadora de Inspeção e Fiscalização Sanitária de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Renata de Araujo Ferreira; presidente eventual da CE, senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL); coordenadora-geral Substituta do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e representante do Ministério da Educação (MEC), Renata Mainenti. representante do Instituto Livre Mercado (ILM), Adriano Paranaiba.
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  • Senado discutiu a influência de ultraprocessados na saúde e no aprendizado de alunos, com foco no PL 4.501/2020, que proíbe venda de ultraprocessados em cantinas escolares.
  • Dados oficiais indicam aumento de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes entre 2014 e 2024, além de quase 70% de crianças até cinco anos consumindo ultraprocessados várias vezes ao dia, elevando o risco de cárie em 71%.
  • A proposta defende priorizar alimentos in natura, orgânicos, frutas, verduras e itens regionais nas cantinas, enquanto a indústria destaca questões como custo e eficácia de proibições.
  • O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já restringe compras de ultraprocessados, com metas de 15% em 2025 e 10% neste ano, buscando que pelo menos 85% dos recursos sejam destinados a alimentos in natura ou minimamente processados.
  • Dados do Ministério da Saúde apontam aumento de obesidade e sobrepeso entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos entre 2014 e 2024; estudos associam esse quadro ao maior consumo de ultraprocessados.

Especialistas alertaram sobre os efeitos negativos de ultraprocessados na saúde e no aprendizado de alunos durante um debate no Senado, nesta quinta-feira (14). A audiência, promovida pela Comissão de Educação e Cultura, discutiu o PL 4.501/2020, que proíbe a venda de ultraprocessados em cantinas escolares.

O projeto, de autoria do senador Jaques Wagner (PT-BA), propõe priorizar alimentos in natura, orgânicos, frutas, verduras e produtos regionais nas cantinas. A discussão reuniu representantes do governo, da indústria de ultraprocessados e de entidades de saúde, além de especialistas em alimentação escolar.

Distribuição de alimentos nas escolas foi o eixo central do debate, com foco em reduzir o consumo de itens industrializados ricos em aditivos, açúcar, sódio e gordura saturada. A presidente da mesa, senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), destacou que o tema tem impacto direto no desenvolvimento de crianças e adolescentes.

PNAE

Renata Mainenti, representante do Ministério da Educação e coordenadora-geral substituta do PNAE, ressaltou que a alimentação adequada é condição essencial para o aprendizado. Ela informou que as escolas públicas vêm reduzindo a compra de ultraprocessados, apoiadas por limites do programa. O objetivo é destinar ao menos 85% dos recursos a alimentos in natura ou minimamente processados.

Obesidade e saúde bucal

Bruna dos Santos Nunes, do Ministério da Saúde, apontou aumento de excesso de peso e obesidade entre crianças de 5 a 9 anos entre 2014 e 2024, e igual tendência entre adolescentes. Marcus Cristian Muniz Conde destacou que quase 70% das crianças de zero a cinco anos consomem ultraprocessados várias vezes ao dia, elevando o risco de cárie em 71%.

Propaganda

Renata de Araujo Ferreira, da Anvisa, citou esforços para regulamentar a publicidade de ultraprocessados desde 2006. Ela mencionou que a propaganda direcionada a crianças influencia escolhas alimentares, reforçando a necessidade de orientações e medidas regulatórias alinhadas a diretrizes de saúde pública.

Críticas da indústria

Representantes da indústria defenderam equilíbrio entre proibição e escolha consciente. Luz Madi, do Ital, disse que é inviável definir exatamente o que entra ou sai de uma cantina escolar. Adriano Paranaiba, do ILM, afirmou que proibições não funcionam e que incentivos são mais eficazes para reduzir preços dos alimentos saudáveis.

João Dornellas, da Abia, pediu clareza sobre os rótulos e criticou a ênfase em termos como nomes químicos sem explicação objetiva. Ele garantiu que a indústria apoia melhorias na qualidade da alimentação desde que haja critérios nutricionais transparentes.

Contexto regulatório

Participantes destacaram ainda que o Decreto 11.821/2023 já orienta a alimentação escolar, apoiando a promoção de lanches saudáveis que valorizem a cultura regional e a sustentabilidade. A audiência contou com a participação de especialistas em nutrição, saúde bucal e redução de danos, além de representantes de entidades técnicas.

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