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Ex-alunas comemoram condenação de professor da USP por transfobia

Condenação de professor da USP por transfobia é vista como alívio e marco; pena de três anos e dez meses em regime aberto, com recurso, e reparação moral às vítimas

Louise e Stella se conheceram na faculdade de medicina da USP em Ribeirão Preto, SP, e compartilharam processo de transição — Foto: Arquivo pessoal
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  • Ex-alunas Louise Rodrigues e Stella Branco dizem que a condenação do professor Jyrson Guilherme Klamt, por transfobia, a três anos e dez meses em regime aberto, traz alívio e aponta o reconhecimento da gravidade do ato.
  • O caso remonta a novembro de dois mil e vinte e três, durante discussão sobre uso de banheiros conforme identidade de gênero no refeitório da USP em Ribeirão Preto.
  • A defesa de Klamt informou que vai recorrer da sentença proferida na primeira instância.
  • Além da pena, a decisão determina que o professor pague um salário mínimo por um ano a uma instituição que atende a comunidade LGBT+, e as médicas receberão R$ 10 mil cada como reparação.
  • A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto disse ter aberto processo administrativo interno; a instituição afirma manter o compromisso com a diversidade e que o caso já está encerrado internamente.

O professor Jyrson Guilherme Klamt foi condenado a três anos e dez meses de prisão em regime aberto por transfobia contra duas alunas travestis do curso de medicina da USP, em Ribeirão Preto (SP). A decisão ocorreu em maio de 2026, em primeira instância, quase três anos após o ocorrido, que aconteceu durante uma discussão sobre o uso de banheiros conforme identificação de gênero no campus. A defesa informou que vai recorrer.

As alunas envolvidas são Louise Rodrigues e Stella Branco, que eram estudantes da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. No relato dos fatos, elas foram confrontadas, ofendidas e ameaçadas pelo docente em uma conversa no refeitório, durante o período que antecedia a formatura. O episódio ocorreu num contexto de debate institucional sobre o uso livre de banheiros por pessoas trans.

Além da pena de prisão, a justiça determinou o pagamento de uma reparação financeira. Jyrson Klamt deve pagar um salário mínimo mensal por um ano a uma instituição que presta serviços para a comunidade LGBT+. Louise e Stella receberão R$ 10 mil cada uma a título de reparação moral. A defesa informou que pretende recorrer da sentença.

Historicamente, o caso envolve também punições administrativas anteriores. Em agosto de 2024, o professor foi afastado por 180 dias das atividades no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto; em outubro do mesmo ano, recebeu uma suspensão de 90 dias na Faculdade de Medicina. Na época, ele participou de um curso sobre identidade de gênero promovido pela instituição. A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto informou que o processo administrativo interno já foi concluído e que o acatamento da decisão judicial está sendo encaminhado aos setores competentes, sem indicar novas providências no momento.

A condenação foi recebida por Louise e Stella como um marco, ainda que traga sofrimento ao reabrir etapas do processo. Elas destacam a importância de reconhecer a transfobia como crime e de defender a dignidade das pessoas trans no Brasil. O advogado das médicas classificou o veredito como histórico, ressaltando a necessidade de avanços na proteção de direitos trans no país.

O caso ganhou repercussão local devido ao histórico de denúncias anteriores contra o docente e aos desdobramentos administrativos que resultaram em suspensões, afastamentos e ações penais. A universidade reforçou o compromisso com o respeito à diversidade e com a integridade de sua comunidade acadêmica.

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