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Educadora transformou a vida de crianças vítimas de violência

Educadora Marcia Ventura Dias, idealizadora da Santa Fé, morre aos 79 anos; legado envolve acolhimento de crianças vítimas de abuso e defesa da infância

Marcia Ventura Dias (1947 - 2026)
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  • Marcia Ventura Dias morreu aos 79 anos, em São Paulo, vítima de complicações do tratamento de linfoma, conforme informações sobre o funeral realizado no dia 6 de maio.
  • Nascida em 1947, teve infância no Ipiranga e participou da militância contra a ditadura; exilou-se no Chile durante o regime.
  • De volta a São Paulo, em 1993 criou a Escola Ambulante a partir de um Natal para crianças da praça da Sé, que originou a organização social Santa Fé.
  • A instituição atua no acolhimento de crianças vítimas de abuso e, ao longo dos anos, ganhou uma sede na Vila Mariana e foi reconhecida, em 2022, como uma das dez práticas inovadoras no setor.
  • Deixa três filhos — Marco, Melissa e Maria —, netos, nora e genros, além do legado da Santa Fé e das crianças que acolheu.

Marcia Ventura Dias, fundadora da organização social Santa Fé, faleceu aos 79 anos, em São Paulo. A causa foi complicações do linfoma, no tratamento que enfrentava. O funeral ocorreu em 6 de maio, na capital paulista.

Nascida em 1947, Marcia teve infância humilde no Ipiranga e contou com a dedicação da mãe solo Ilza. Em sua juventude, ingressou na USP para estudar filosofia, mas foi puxada pela militância contra a ditadura.

Em 1971, após exílio no Chile, voltou a São Paulo e abriu a escola Pingo d’Água, com a psicopedagoga Neiara Portolese. A iniciativa atendeu crianças com deficiência, ganhando apoio de educadores como Ana Maria Garrett de Vasconcelos.

Em 1993, a ideia de organizar um Natal para crianças da praça da Sé deu origem ao programa Escola Ambulante, núcleo que amadureceu e se tornou a Santa Fé, voltada ao acolhimento de crianças vítimas de abuso.

A atuação da instituição ganhou reconhecimento ao longo dos anos. A Santa Fé ganhou uma sede na Vila Mariana, ampliando o alcance de projetos voltados a infância e adolescência em situação de vulnerabilidade.

Em 2022, a Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes indicou o trabalho da Santa Fé entre as dez práticas inovadoras no país, destacando o impacto social da organização.

Marcia valorizava ouvir as histórias das crianças atendidas. Ela lembrava, por exemplo, de uma menina de 12 anos acolhida pela entidade após violência, hoje formada como engenheira.

Deixa três filhos: Marco, Melissa e Maria, além de netos, nora e genro. A memória de Marcia fica nas gerações que ajudou a transformar com a Santa Fé.

Fonte: Folha de S.Paulo

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