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Estudo revela como desigualdades reduzem acesso a direitos e oportunidades

Estudo revela que raça, pobreza e outras vulnerabilidades moldam trajetórias educacionais e trabalhistas de jovens, ampliando desigualdades no Brasil

Estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas — Foto: O Globo/Reprodução
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  • Estudo inédito, lançado em 26 de novembro, reúne 14 artigos sobre 13 perfis de juventudes vulneráveis no Brasil, com apoio da Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho, Iede e Unicef.
  • O documento mostra barreiras históricas de acesso à educação, ao trabalho e a direitos básicos para as 13 juventudes minorizadas, destacando dados do IBGE.
  • Entre os perfis estão juventudes negras, indígenas, quilombolas, em pobreza, rurais, estudantes de escola pública, pessoas com deficiência, LGBTQIAPN+, jovens mães, mulheres em STEM, adolescentes em medidas socioeducativas, em trabalho infantil e jovens refugiados.
  • Desigualdades estruturais aparecem em indicadores como acesso à internet, deslocamentos, permanência e aprendizagem na escola pública, com impactos maiores para jovens negros e de baixa renda.
  • A publicação enfatiza também a importância da Educação Profissional e Tecnológica e de políticas públicas que incluam vozes dos jovens e monitorem resultados para ampliar oportunidades de vida e inserção no mercado de trabalho.

A Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho e Iede, em parceria com Unicef, divulgam um panorama inédito sobre as juventudes vulneráveis no Brasil. O estudo reúne 14 artigos com análises de especialistas e relatos de jovens, cobrindo 13 perfis de juventudes minorizadas.

A publicação destaca barreiras históricas no acesso à educação, ao trabalho e a direitos básicos. Entre os grupos analisados estão juventudes negras, indígenas, quilombolas, em situação de pobreza, estudantes de escola pública e pessoas com deficiência.

Outros grupos contemplados são jovens LGBTQIAPN+, mães jovens, mulheres em áreas de STEM, adolescentes em medidas socioeducativas, em trabalho infantil e jovens refugiados. O material mapeia vulnerabilidades específicas e lacunas na proteção e inclusão.

A análise utiliza dados do IBGE para mostrar que o Brasil tem mais de 46,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Quase um quarto da população está nesse intervalo etário, com ampla diversidade de contextos sociais.

Desigualdades estruturais

Raça e condição socioeconômica aparecem como principais determinantes das desigualdades. Entre jovens em extrema pobreza, 74,9% são negros, e 40% da juventude pobre são mulheres negras. Acesso à internet, deslocamentos e conciliar estudo com trabalho aparecem como desafios.

A violência atinge de forma desigual: jovens negros sofrem violência urbana com taxa quatro vezes maior que a de jovens brancos. Entre indígenas, o suicídio chega a ser oito vezes maior do que entre jovens brancos e negros.

Entre quilombolas, houve avanço educacional com aumento de 57% nas matrículas do ensino médio entre 2014 e 2024, mas cerca de 30% apresentam atraso escolar, acima da média nacional de 17,8%.

Entre jovens rurais, os indicadores de exclusão escolar são mais graves. Um terço fica fora da escola sem concluir a educação básica, contra 16,5% nas áreas urbanas, e a informalidade atinge 69% no campo.

Marcadores sociais e a educação pública

A escola pública é apresentada como espaço de proteção, mas muitos estudantes enfrentam barreiras para permanecer no ensino e acessar oportunidades. Estudantes da rede pública, majoritariamente pretos, pardos e de baixa renda, revelam piores indicadores de aprendizagem.

A distância entre redes público e privado se traduz em distorção idade-série e menor probabilidade de mobilidade social. Pesquisadores destacam a importância da Educação Profissional e Tecnológica para ampliar oportunidades.

Educação e trabalho

Jovens LGBTQIAPN+ enfrentam agressões verbais, físicas e cyberbullying, o que impacta permanência escolar e inserção profissional. Há pouca coleta de dados oficiais sobre esse grupo, dificultando políticas públicas adequadas.

Mais da metade dos adolescentes em medida socioeducativa está no ensino fundamental, ainda que já tenham idade para o ensino médio. O estudo também aponta a persistência do trabalho infantil, com maior exclusão escolar e maior risco de exploração.

Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede, ressalta a diversidade de 13 perfis e a importância de atenção direcionada para avanços estruturais. O material visa embasar políticas públicas com foco em justiça social e oportunidades.

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