- Morreu o filósofo francês Edgar Morin aos 104 anos, em 29 de maio de 2026, no Hospital Americano de Paris.
- Escritor de cerca de oitenta livros, ficou conhecido por obras como Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, em parceria com a Unesco.
- Foi referência do Pensamento Complexo, defendendo educação que forme pessoas críticas, complexas e humanas diante dos desafios do século XXI.
- Durante a vida, integrou a Resistência Francesa, colaborou com movimentos e manteve vínculos com intelectuais como Marguerite Duras e Albert Camus.
- Entre as principais obras estão O Método, em seis volumes, além de A Cabeça Bem-Feita, Ciência com Consciência e Lições de um Século de Vida; teve forte relação com o Brasil.
Edgar Morin, influente pensador francês, faleceu aos 104 anos nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026. A causa da morte não foi divulgada. O anúncio foi feito pela instituição Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, que difunde o seu trabalho, e por especialistas que acompanharam sua obra.
A notícia foi confirmada também pelo filósofo Nelson Vallejo Gomez, que atua na área de Filosofia Contemporânea e é familiar da obra de Morin. Gomez descreveu o momento como o encerramento de um ciclo de vida dedicado à ideia de complexidade e à educação humanista.
O CEP Edgar Morin, centro de estudos ligado ao pensador, também lamentou a perda. Em nota, destacou a contribuição de Morin para a cultura, a decolonialidade e a busca por uma consciência planetária. O texto enfatizou o legado de solidariedade e paz.
Trajetória
Nascido em Paris, em 1921, Morin adotou o codinome Morin durante a Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial. Exerceu atuação intelectual, politicamente engajada, e participou de movimentos contra a guerra da Argélia e de maio de 1968, convivendo com grandes nomes da época.
Ao longo da carreira, Morin escreveu cerca de 80 livros. Entre eles está Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, em parceria com a Unesco, que consolidou sua visão de educação como desenvolvimento do pensamento crítico.
Na área da comunicação, destacou-se com Cultura de Massa no Século XX: O Espírito do Tempo, obra que analisa a relação entre arte, mídia e consumo de massa. Defendeu a interconexão de saberes para enfrentar as incertezas modernas.
Legado
Morin foi referência do Pensamento Complexo, com influência nas ciências sociais e na educação. Entre suas propostas está a ideia de formar pessoas capazes de pensar de maneira crítica e integrada diante dos desafios do século 21.
Durante a atuação acadêmica, o filósofo participou do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e recebeu títulos de honra em várias universidades. O trabalho dele abrangeu educação, estudos de mídia, ecologia e antropologia visual.
Morin manteve relação próxima com o Brasil, visitando o país diversas vezes e recebendo homenagens. Em entrevista ao Estadão, em 2019, ele enfatizou a importância da leitura e das artes para provocar mudanças na vida.
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