- O Museu do Ipiranga, reinaugurado em 2022, avança para acessibilidade e diversidade com exibição tátil, contrapontos em vídeos e outras práticas que vão além da leitura pela visão.
- Uma nova diorama tridimensional do quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, foi entregue e permite leitura sensorial da cena; a peça levou um mês para ficar pronta.
- A instituição utiliza cerca de 350 materiais diferentes na coleção didática voltada ao toque, incluindo objetos reais de pedra, tecido e madeira.
- Os vídeos de contraponto apresentam outras perspectivas históricas, como povos indígenas e comunidades negras, com legendas e tradução em Libras.
- Planos futuros incluem visitas noturnas, mostras itinerantes, linguagem simples, sala de descompressão para neurodivergentes e formação de grupos com comunidades específicas; a FAAMP apoia as iniciativas, mas ainda sem prazo definido.
O Museu do Ipiranga, reinaugurado em 2022, busca ampliar acessibilidade e diversidade para representar diversos públicos. A instituição, na zona sul de São Paulo, investe em leitura sensorial de obras e em formatos que vão além da visão. A meta é tornar-se referência mundial nesse tema.
Nova leitura da obra Independência ou Morte, de Pedro Américo, ganhou um diorama tridimensional em escala reduzida. O conjunto permite tocar e explorar a cena, ampliando o entendimento para pessoas com diferentes formas de percepção. A iniciativa integra ações mais amplas de inclusão.
A transformação envolve também a apresentação de contrapontos em vídeos, que dialogam com versões oficiais da história. A proposta busca oferecer visões alternativas sobre o período colonial, com foco em povos indígenas e na participação de grupos marginalizados.
Aos poucos, o museu adota linguagem simples nas informações, além da busca por objetos de camadas sociais antes não representadas. O objetivo é ampliar o repertório sensorial sem reduzir o eixo histórico da exposição.
De acordo com Tato Carbonaro, diretor de comunicação da Fundação de Apoio ao Museu Paulista, cerca de 350 materiais diferentes são usados para enriquecer as experiências. O número abrange itens táteis, texturas e recursos didáticos.
O diorama do quadro foi entregue na sexta-feira, 22, após um mês de desenvolvimento. As artesãs Célia Santiago e Helaine Malka participaram da montagem, que utiliza granito e outros materiais. A iniciativa envolve artesãos locais e valoriza técnicas tradicionais.
O artesão Jofe Santos, hoje com 70 anos, participou de sete representações em granito para o museu. Ele destaca o movimento coletivo e a conexão com a ancestralidade, ressaltando a importância do trabalho para a compreensão histórica.
Além das peças físicas, o museu investe em vídeos de contraponto nas salas de exposição. Esses conteúdos complementares trazem perspectivas de comunidades historicamente silenciadas, com legendas e tradução em Libras.
Solange Lima, professora do museu, explica que os contrapontos visam criar canais de diálogo com a sociedade. A proposta é tensionar o discurso oficial e ampliar a participação de diferentes manifestações.
As iniciativas incluem também novos recursos de acessibilidade, como expansão da leitura por toque e a futura criação de uma sala de descompressão para pessoas neurodivergentes. A proposta envolve grupos comunitários na construção das ações.
A Fundação de Apoio ao Museu Paulista (FAAMP) sustenta as ações e analisa a viabilidade de visitas noturnas e mostras itinerantes. Não há prazo definido para a implementação de todas as medidas.
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