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USP e UFRJ lideram no Brasil, mas país fica fora das 100 melhores universidades do mundo em ranking global

Brasil domina o ensino superior latino-americano, mas perde espaço na corrida científica internacional e vê universidades chinesas dispararem.

Imagem: CNN.

O Brasil segue como a principal potência universitária da América Latina, mas continua distante da elite acadêmica mundial. Nenhuma universidade brasileira apareceu entre as 100 melhores do planeta no ranking Global 2000 de 2026, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Center for World University Rankings (CWUR). A instituição nacional mais bem posicionada é a Universidade de […]

O Brasil segue como a principal potência universitária da América Latina, mas continua distante da elite acadêmica mundial. Nenhuma universidade brasileira apareceu entre as 100 melhores do planeta no ranking Global 2000 de 2026, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Center for World University Rankings (CWUR). A instituição nacional mais bem posicionada é a Universidade de São Paulo (USP), que ocupa a 119ª colocação global.

Melhores universidades do mundo ainda estão nos EUA e Reino Unidos; Brasil ainda não consegue competir

O dado ajuda a revelar uma contradição importante do ensino superior brasileiro: embora o país concentre as universidades com melhor desempenho da América Latina, ele ainda não consegue competir em igualdade com os grandes polos globais de pesquisa científica, inovação e produção acadêmica.

A distância fica ainda mais evidente quando se observa quem domina as primeiras posições do ranking. As dez melhores universidades do mundo continuam concentradas nos Estados Unidos e no Reino Unido, com instituições como Harvard, MIT, Stanford, Cambridge e Oxford liderando a lista.

Enquanto isso, o Brasil enfrenta um movimento de perda de competitividade internacional. Das 52 universidades brasileiras presentes no ranking, 45 caíram de posição em relação ao ano passado. Apenas cinco subiram e duas permaneceram estáveis.

A própria USP, apesar da liderança regional, perdeu uma posição no ranking global. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) caiu 15 colocações, enquanto a Unicamp perdeu dez posições.

O que esse ranking realmente mede?

Diferentemente de rankings populares baseados apenas em reputação ou percepção pública, o CWUR tenta medir influência acadêmica real e capacidade científica das universidades.

O levantamento avalia mais de 21 mil instituições de ensino superior em todo o planeta e seleciona apenas as 2 mil mais bem pontuadas. Para isso, avalia com base em quatro grandes critérios: pesquisa científica; qualidade da educação; empregabilidade dos ex-alunos; qualificação do corpo docente.

A produção científica é o fator mais importante da metodologia e responde sozinha por 40% da nota final. Nesse indicador entram quantidade de estudos publicados; impacto acadêmico das pesquisas e citações recebidas. 

Na prática, isso significa que o ranking mede quais universidades conseguem produzir conhecimento relevante em escala global.

E foi justamente nesse ponto que o Brasil mais perdeu força. Segundo o CWUR, 44 das 52 universidades brasileiras tiveram piora nos indicadores ligados à pesquisa.

A ascensão da China mudou o jogo mundial

Parte da queda brasileira também está ligada a uma transformação profunda no cenário acadêmico internacional: o avanço acelerado da China.

Nas últimas duas décadas, o país asiático investiu pesadamente em ciência, tecnologia e internacionalização universitária. O resultado já aparece no ranking: hoje, a China possui 360 universidades entre as 2 mil melhores do mundo — ultrapassando os Estados Unidos, que têm 313 instituições listadas.

Isso não significa necessariamente que as universidades brasileiras tenham piorado drasticamente de um ano para outro. Rankings internacionais funcionam de forma relativa: quando outros países crescem mais rápido, quem avança menos acaba perdendo posições.

Ainda assim, especialistas apontam que o Brasil enfrenta problemas estruturais antigos como cortes e instabilidade no financiamento científico; “fuga” de pesquisadores; dificuldade de internacionalização; redução de bolsas e baixa integração entre pesquisa e inovação tecnológica.

O próprio CWUR cita anos de financiamento inadequado e perda de valorização da ciência e da educação pública como fatores centrais para o recuo brasileiro.

As melhores universidades brasileiras em 2026

Top 10 do Brasil no CWUR

  1. Universidade de São Paulo (USP) — 119º lugar mundial
  2. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — 346º
  3. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — 379º
  4. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — 476º
  5. Universidade Estadual Paulista (Unesp) — 479º
  6. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — 508º
  7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) — 621º
  8. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — 682º
  9. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — 732º
  10. Universidade Federal do Paraná (UFPR) — 799º

Mesmo fora do grupo das 100 melhores do mundo, o Brasil ainda mantém a liderança universitária da América Latina. O desafio agora é outro: decidir se quer apenas preservar a relevância regional – ou voltar a disputar espaço na fronteira global da ciência.

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