- 43,1 milhões de pessoas (cerca de 20,3% da população) podem obter diploma apenas por meio da educação a distância, segundo o Censo da Educação Superior de 2024.
- Em cerca de 2,3 mil municípios não há cursos presenciais, mas existem polos de EaD que viabilizam o acesso ao ensino superior.
- A EaD passou a ser principal via de entrada no ensino superior entre 2020 e 2021 e manteve liderança em 2023 e 2024, com dois em cada três novos estudantes escolhendo a modalidade.
- O caso de Tabatinga, no Amazonas, ilustra a viabilidade: a estudante pagava cerca de R$ 450 por mês pelo curso de Nutrição a distância, evitando viagens de barco de sete dias até Manaus.
- Adilson Guerreiro, 33 anos, morador de uma reserva na Amazônia, concluiu Gestão em Turismo via EaD com apoio de a Fundação Amazônia Sustentável, destacando os desafios logísticos e o impacto da modalidade.
O ensino superior no Brasil ganhou uma cara mais digital: 43,1 milhões de pessoas, cerca de 20,3% da população, acessam diplomas apenas por EaD, segundo o Censo da Educação Superior de 2024. Nesse período, a modalidade se tornou a principal porta de entrada ao curso superior.
Em 2020-2021, o EaD já havia ganho protagonismo, impulsionado pela pandemia. Nos anos seguintes, dois a cada três novos estudantes optaram pela distância, consolidando a liderança da modalidade no país, segundo o estudo citado pelo portal Metrópoles.
Em cerca de 2,3 mil municípios, não há oferta de cursos presenciais, mas existem polos de EaD. Em Tabatinga, no Amazonas, a distância viabilizou o curso de Nutrição, que antes era inviável pela distância até Manaus, de barco, com viagens longas e custos elevados.
O caso local é um retrato de muitas cidades: o custo de vida, deslocamentos e a logística das viagens tornam o EaD uma opção viável para concluir uma graduação, conforme relatos de estudantes da região.
O governo federal, em maio de 2025, publicou o Decreto nº 12.456/2025, que regulamenta a Nova Política de EaD. O objetivo é corrigir distorções, melhorar o acompanhamento estudantil e reduzir evasão.
Críticos avaliam que algumas exigências do decreto podem dificultar o acesso em municípios sem oferta presencial, além de impactar a expansão de instituições públicas nessa modalidade.
A série de reportagens do Metrópoles, publicada em 12/6, analisa a interiorização do ensino superior por EaD. Ela traz relatos de quem depende da distância para estudar, dados de acesso e desafios de permanência.
Adilson Guerreiro, ribeirinho da região amazônica, ingressou em Gestão em Turismo via EaD, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável e a Universidade Nilton Lins, com apoio da Louis Vuitton. O projeto atendeu 52 moradores.
Ao final, dez concluíram o curso, e outros seis atingiram mais de 90% da carga horária. A Fundação lembra que impactos vão além do diploma, abrindo oportunidades educacionais e fortalecendo comunidades remotas.
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