- Pesquisa do Instituto Locomotiva, apresentada no 3º Encontro de Educação Financeira em São Paulo, aponta que oito dos dez principais sonhos dos adolescentes estão ligados à carreira ou à estabilidade financeira.
- A estabilidade financeira é vista como proteção emocional diante de um futuro instável, caro e imprevisível, segundo especialistas.
- Quinze por cento? Não, 54% dos adolescentes concordam que é difícil fazer planos para o futuro; entre os sonhos, carreira aparece em 30%, seguida de bem-sucedido em 10% e outros itens.
- Sobre educação financeira, 71% dos jovens dizem que o entretenimento ajuda a lidar com sentimentos, com especialistas sugerindo que esse ritmo pode ser usado para aproximar os adolescentes da educação financeira.
- A pesquisa aponta que 53% dos adolescentes pertencem à classe C, com preocupações distintas das de outras classes, ressaltando a necessidade de abordagens qualificadas.
O estudo do Instituto Locomotiva, apresentado no 3º Encontro de Educação Financeira, em São Paulo, aponta que a estabilidade financeira virou valor emocional para adolescentes. O levantamento mostra que oito dos dez principais sonhos dos jovens estão ligados à carreira ou à estabilidade econômica.
Segundo Renato Meirelles, presidente do instituto, a condição emocional dos adolescentes está diretamente ligada a esse cenário de incerteza. A adolescência, que deveria ser de sonhos, passa a priorizar a segurança financeira diante de um cenário percebido como instável.
Rita Almeida, do Lab Humanidades, complementa que a juventude atual vive com urgência em relação ao futuro e menos espaço para imaginar mudanças. Ela afirma que muitos jovens querem resolver a própria vida antes de planejar o mundo.
O que os jovens sonham
Entre os dez sonhos mais citados, oito estão conectados a carreira ou à estabilidade financeira. Em contexto de incerteza, o futuro é visto mais como fonte de ansiedade do que de possibilidades.
- Carreira aparece como o maior sonho (30%).
- Outros desejos incluem sucesso profissional, estudos, bens e, ainda, a própria estabilidade financeira (todos entre 4% e 10%).
A pesquisa registra ainda que 54% dos adolescentes acham difícil fazer planos para o futuro. Almeida destaca a diferença entre o que pais imaginam e a angústia real vivida pelos jovens diante do horizonte.
Educação financeira e mídia
A pesquisa mostra que 71% dos adolescentes associam entretenimento à gestão de sentimentos, consumindo documentários e filmes para compreender o mundo. Meirelles sugere que o entretenimento pode abrir caminho para a educação financeira.
Almeida aponta a necessidade de ouvir os jovens e de tornar a educação financeira presente nos espaços onde eles passam mais tempo, incluindo plataformas digitais. Ela ressalta que algoritmos e conteúdos audiovisuais atuam como agentes de educação para esse público.
O humor é citado como ferramenta de alívio emocional e também de aprendizagem, ajudando a lidar com a pressão do futuro sem impedir o acesso a informações financeiras básicas. A escuta qualificada é apresentada como requisito para uma abordagem eficaz.
Contexto e impactos sociais
A maior parte dos adolescentes envolvidos na pesquisa (53%) pertence à classe C, com preocupações distintas das de outras camadas sociais. Uma parcela destaca o cuidado com familiares na velhice, em vez de planos individuais de consumo.
Especialistas ressaltam a importância de ampliar as formas de atuação na educação financeira, para que os jovens deixem de apenas buscar segurança e comecem a imaginar e construir futuros possíveis. A contextualização é vista como crucial para alcançar esse público.
Entre na conversa da comunidade