- A Escuta Nacional com 57 mil professores de 24.164 escolas públicas mostrou descompasso entre teoria e prática na matemática em toda a educação básica.
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- A maioria encara a matemática como importante, mas apenas um terço usa tecnologia ou atividades diversas; 40% costumam trabalhar em grupo, ainda predominando as aulas expositivas.
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- Destaca-se a necessidade de melhoria na formação inicial e continuada, com falta de material de apoio e de condições para apoiar a prática docente.
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- A educação a distância (EaD) é considerada insuficiente para formação em matemática, com apenas 12% dos formandos em licenciaturas EaD com desempenho adequado, ante 32% em cursos presenciais.
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- No Distrito Federal, a formação continuada avança pela Eape, com quatro novas turmas de julho e certificado de 120 horas, alinhado ao Compromisso Nacional Toda Matemática.
A Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática, divulgada no início do mês, aponta que a maioria dos docentes percebe sentido no que faz, mas identifica espaço para melhoria na formação inicial e continuada. O levantamento ouviu 57 mil professores de 24.164 escolas públicas, cobrindo 75% dos municípios.
A pesquisa mostra desalinhamento entre teoria e prática em todas as fases da educação básica. A matemática é vista como fundamental para o pensamento crítico e a inclusão produtiva, mas as aulas expositivas ainda dominam. Apenas um terço utiliza tecnologia e atividades variadas.
A formação inicial é apontada como ponto-chave de melhoria. Pesquisadores destacam necessidade de fortalecer apoio aos docentes, com formação teórica-prática articulada e materiais de apoio para o ensino da matemática desde o início da licenciatura.
Revisão necessária
Especialista ressalta que licenciaturas específicas costumam ter sólida formação epistemológica, mas carecem de qualidade didático-pedagógica. A interrelação entre ensino e pesquisa, por meio de programas de iniciação científica, também precisa ser fortalecida.
O estudo indica que, na educação infantil e nos anos iniciais, falta maior fundamentação matemática de base, com pedagogos ministrando as aulas. A proposta é alinhar conteúdos teóricos e práticos desde o começo da formação.
Gargalos na inclusão
Os docentes relatam pouco preparo para lidar com diversidade e inclusão, tema cada vez mais presente em sala. Além disso, o Enade Licenciaturas e outras avaliações apontam a necessidade de ajustes curriculares urgentes.
Para especialistas, a formação continuada é importante, mas não pode suprir deficiências da formação inicial. A matemática pode reduzir desigualdades apenas se o pacto nacional avançar com metas claras.
EaD é insuficiente
Dados indicam vantagem da presença física na formação de professores. Desempenho de licenciaturas a distância fica atrás do presencial, especialmente entre matemática e pedagogia, com resultados abaixo do esperado nos últimos anos.
A presença facilita modelagem de práticas, feedbacks e interação entre professor e aluno. A distância, por sua vez, apresenta maior dificuldade de desenvolver competência prática essencial à educação matemática.
Para saber mais
O levantamento integra o Compromisso Nacional Toda Matemática, com foco na BNCC. O objetivo é assegurar que estudantes da educação básica aprendam matemática com qualidade, por meio de ações de melhoria técnica e curricular. Fontes oficiais apoiam o pacto.
DF avança na formação
No Distrito Federal, a rede pública utiliza a Escola de Formação Continuada de Professores, alinhada a políticas federais. Em 2024, o programa nacional de alfabetização passou a dialogar com a formação de docentes de matemática nos anos finais, com ações descentralizadas nas regionais.
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