- A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé (interior de São Paulo), ganhou o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza no ano passado com o projeto Salas Abertas: Reconectar com a Natureza, que levou aulas ao ar livre.
- O projeto criou espaços educativos como o Berçário das Plantas, com horta, pomar e casa de sementes, em parceria com a Comunidade Quilombola Fazenda Silvério, incluindo a Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira.
- A iniciativa retomou saberes tradicionais, destacando a prática da semente crioula trazida por Dona Eusa Rodrigues Pereira, cozinheira da escola por mais de trinta anos, que permanece atuando junto à comunidade escolar.
- O Canto da Calma, jardim e espaço de leitura, funciona como sala aberta para regulação emocional e incentivo à leitura na natureza; há também um laboratório para experimentos com canteiros com e sem cobertura morta.
- A nova edição do prêmio está com inscrições abertas até 29 de junho; cinco escolas serão contempladas com cem mil reais cada, além de acompanhamento técnico em arquitetura e educação, promovido pelo Instituto Motiva.
A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé, interior de São Paulo, transformou quintais e áreas verdes em espaço de aprendizagem. O projeto Salas Abertas: Reconectar com a Natureza ampliou atividades para além da sala de aula, valorizando saberes tradicionais e fortalecendo vínculos comunitários.
A iniciativa, premiada no ano passado pelo Prêmio Escolas Baseadas na Natureza, busca melhorar a qualidade de vida no território por meio de práticas agroecológicas e da valorização de memórias locais. A história de Eusa Rodrigues Pereira, cozinheira da unidade por mais de 30 anos, é usada para conectar saberes antigos ao aprendizado das crianças.
Segundo a professora Dynná Ferraz, o conhecimento da semente crioula passou a integrar a rotina escolar. A proposta aponta a segurança alimentar como motivação central, conectando produção de alimentos a educação ambiental.
Berçário das Plantas, com horta, pomar e casa de sementes, surge com técnicas da comunidade quilombola da região. A parceria com a Comunidade Quilombola Fazenda Silvério envolve o líder Tio Darci e resultou na criação da Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira, construída com participação de estudantes.
No Berçário, crianças pesquisam e experimentam. Há um pomar próximo à casinha barreada, com um fogão a lenha para atividades lúdicas, além da horta para plantio e colheita, integrando alimentação saudável ao currículo.
O Canto da Calma integra jardim e espaço de leitura para regulação emocional e estímulo à leitura ao ar livre. A professora Dynná explica que a área ganhou uma biblioteca conectada a um redário, transformando o espaço em um refúgio de convivência com a natureza.
A escola também mantém um laboratório para experimentos. Jovens comparam canteiros com diferentes coberturas, observando impactos de húmus e defensivos orgânicos, ampliando práticas do currículo com apoio de especialistas.
A edição do prêmio está com inscrições abertas até 29 de junho. Cinco escolas serão contempladas com R$ 100 mil cada uma, além de acompanhamento técnico em arquitetura e educação. O Instituto Motiva promoverá o programa, com apoio técnico do Instituto Alana e do Instituto Crescer.
Dayana Araújo, do Instituto Alana, destaca a necessidade de resgatar o vínculo das crianças com a natureza diante da desconexão atual. Ela afirma que aprender na natureza favorece o desenvolvimento cognitivo, social e físico dos alunos.
Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, ressalta que o prêmio incentiva escolas públicas a adotar práticas pedagógicas alinhadas a desafios ambientais. Ela enfatiza o potencial de espaços naturais como ambientes de aprendizagem para observar, investigar e compreender o mundo.
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