- Quase dois terços das universidades brasileiras no QS World University Rankings 2027 caíram de posição, e nenhuma subiu.
- A queda é atribuída à maior competição global, especialmente o avanço de universidades na Ásia, como a China.
- Indica-se que alguns indicadores, como empregabilidade e reputação entre empregadores, são mal definidos para o contexto brasileiro, o que distorce a nota final.
- A internacionalização permanece fraca no país: poucas docentes e estudantes estrangeiros, com destaque para a Unicamp entre as federais e exceções como a PUC do Rio.
- Sugestões incluem ampliar políticas de internacionalização, oferecer pós-graduação inteira em inglês e investir em estratégias mais ousadas para atrair professores estrangeiros.
Quase duas terças das universidades brasileiras listadas no QS World University Rankings 2027 caíram de posição, sem registro de avanços. A edição, a 23ª, avalia citações, empregabilidade e internacionalização entre mais de 1.500 instituições globais. O Brasil enfrenta queda diante da crescente competição externa.
Para o especialista brasileiro, Leandro Tessler, professor da Unicamp e membro do conselho da QS, o recuo não significa automaticamente pior desempenho local. A volatilidade do ranking e a ascensão de universidades asiáticas, especialmente da China, ajudam a explicar a tendência. A explicação não exclui falhas no sistema.
Ele aponta que indicadores de empregabilidade e de reputação entre empregadores são pouco estáveis e mal calibrados para o Brasil. O resultado reforça a percepção de que o país permanece com menor internacionalização de docentes e estudantes, diante de países com políticas de atração mais agressivas.
O que mudou no QS 2027
Tessler afirma que, apesar de quedas, não houve mudança substancial na qualidade regional das instituições. A variação reflete mais a maior trilha de desempenho de rivais globais do que retrocesso pesado no Brasil. Em seu diagnóstico, o sistema de rankings possui limitações metodológicas relevantes para o cenário brasileiro.
Ele cita a própria experiência no comitê externo de avaliação como base para sustentar que alguns indicadores não capturam a realidade nacional. Entre eles, o “employment outcomes” apresenta números instáveis; várias federais aparecem com notas baixas naquele indicador. A USP figura entre as mais bem avaliadas, com nota alta, enquanto outras federais ficam atrás.
Internacionalização e estratégias nacionais
O especialista aponta falhas crônicas: baixo número de docente e estudante estrangeiro e pouca atuação de políticas públicas amplas de internacionalização. A Unicamp aparece melhor em international faculty, graças a unidades com forte corpo estrangeiro, mas muitos institutos federais não partilham desse perfil.
Quanto às estratégias, Tessler ressalta iniciativas dispersas e um cultivo de inglês ainda insuficiente. Ele cita que algumas universidades sul-americanas já oferecem cursos inteiros em inglês, ao contrário do que ocorre em muitas federais no Brasil. A recomendação é adotar políticas mais ousadas e coordenadas para atrair talentos.
Caminhos para a melhoria
Segundo o especialista, projetos isolados não resolvem o desafio. É necessária uma política de maior impacto, com atração de docentes estrangeiros, salários competitivos e estruturas de carreira que incentivem permanência. Ele cita a possibilidade de programas de pós-graduação inteiramente em inglês em áreas competitivas como norte para essa reformulação.
Sobre o papel dos rankings, o pesquisador afirma que eles auxiliam a mapear tendências de internacionalização, mas não devem guiar políticas educacionais de forma exclusiva. O objetivo é ampliar a relevância internacional das universidades brasileiras sem depender de métricas que não reflitam a realidade local.
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