- O material traz 10 dicas para educar filhos contra o vício em bets (apostas) e identificar sinais de alerta, em meio à publicidade que envolve futebol, jogos e celular.
- Dados da Unifesp, em outubro de 2025, mostram que cerca de 33 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais já participaram de algum jogo de apostas, sendo 10,9% entre 14 e 18 anos (mais de 1 milhão de jovens).
- Na adolescência, áreas do cérebro ligadas ao controle de impulsos, planejamento e regulação emocional ainda estão em desenvolvimento, tornando-os mais vulneráveis.
- Cinco atitudes para os pais: compartilhar relatos de quem teve problemas, não tratar apostas como diversão, evitar cultura de apostas na família, falar dos riscos com equilíbrio e discutir educação financeira.
- Sinais de alerta incluem angústia, alteração de humor, mentiras, comportamento arriscado e planejamento constante de apostas; o tratamento é multidisciplinar, com suporte de psicólogo ou psiquiatra, terapia familiar e redes de apoio como os Jogadores Anônimos.
A partir de dados recentes, o uso de bets em plataformas de apostas esportivas online tem ganhado espaço entre crianças e adolescentes. O acesso facilita o envolvimento precoce, com impactos financeiros e emocionais potenciais. Mesmo com a proibição para menores de 18 anos, as tentativas continuam ocorrendo.
Especialistas citam a publicidade agressiva, com influenciadores e atletas, como fator de normalização. Anúncios durante jogos, camisas de times e conteúdos em redes sociais ajudam a incentivar o envolvimento dos jovens. O público infantojuvenil é especialmente sensível a esse estímulo.
Segundo levantamento de outubro de 2025 da Unifesp, cerca de 33 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais já haviam participado de algum jogo de apostas. Entre adolescentes de 14 a 18 anos, a taxa é de 10,9%, equivalente a mais de um milhão de jovens.
O que é observado na adolescência
A adolescência envolve regiões cerebrais responsáveis pelo controle de impulsos e planejamento, ainda em desenvolvimento. Assim, avaliações de risco e freio a decisões precipitadas podem falhar mais cedo. A formação de hábitos é rápida nessa fase.
O Estadão entrevistou Gustavo Estanislau, psiquiatra da infância, que alerta sobre o tom da conversa com crianças. Pais devem acompanhar atividades em celulares e redes sociais, sem soar alarmistas. O especialista também aponta cinco atitudes-chave para a abordagem.
- Compartilhar relatos de quem enfrentou problemas com apostas;
- Evitar tratar apostas como diversão;
- Atentar-se à cultura de apostas entre adultos da família;
- Abordar riscos com equilíbrio para não gerar medo excessivo;
- Falar de educação financeira e poupar para o futuro.
Quais sinais indicam o vício
A Organização Mundial da Saúde classifica a ludopatia como problema desde 1980, com agravamento ligado ao aumento de plataformas online. Prejuízos financeiros surgem junto com angústia emocional, principalmente em casos graves que prejudicam saúde e bem-estar.
A psicóloga Juliana Bizeto explica que apostas esportivas ativam áreas de prazer, recompensa e expectativa no cérebro. A procura pela possibilidade de vitória costuma sustentar o comportamento, mesmo sem o ganho efetivo.
Sinais comuns incluem angústia ou ansiedade ao tentar se divertir sem apostar, alterações de humor ao interromper o hábito, mentiras para minimizar o problema, comportamentos arriscados que afetam finanças ou desempenho escolar, e planejamento constante de novas apostas. Segundo Cirilo Tissot, pode demorar cerca de um ano para surgir os primeiros critérios de dependência.
Como buscar tratamento
O tratamento é multidisciplinar e envolve psicologia, psiquiatria e, em alguns casos, farmacoterapia para estabilizar o humor. Terapia familiar é indicada, devido aos impactos de mentiras e dinâmica doméstica. Pesquisadores destacam que há opções no SUS e no apoio de grupos como os Jogadores Anônimos, que seguem 12 passos para abstinência.
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