- Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo mostram um tenente acusando a diretora da EMEI Antônio Bento, na zona Oeste, de impor regras e ditar sua ideologia durante abordagem em novembro de 2025, após pai reclamar de um desenho de Iansã feito pela filha.
- A diretora afirmou que a educação afro-brasileira está prevista na Lei Federal 10.639/2003 e na base curricular, e chegou a convidar os policiais para uma reunião de mediação com a comunidade escolar para explicar o plano de ensino.
- O tenente disse ter sido acionado por uma ocorrência de intolerância religiosa e que o pai da aluna teria o direito de contestar a prática.
- Durante o diálogo, a diretora disse que a escola e a comunidade estavam sendo coagidas pelo denunciante, e o tenente afirmou que voltaria com uma medida administrativa, chamando a diretora de “muito mal educada”.
- A Polícia Civil indiciou o pai da criança por intolerância religiosa, com o inquérito concluído em fevereiro de 2026; a PM encaminhou as imagens à Justiça Militar para análise, e a Secretaria Municipal de Educação afirmou ter apoiado a comunidade na época.
Na manhã de novembro de 2025, câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo registraram a atuação de um tenente na EMEI Antônio Bento, na zona Oeste da capital. A diretora da escola, Aline Aparecida Nogueira, é apresentada como o polo central da abordagem, que ocorreu após a família de uma aluna reclamar de um desenho ligado a Iansã, entidade de matriz africana. A denúncia apontava suposto excesso de doutrinação religiosa nas atividades.
Segundo as imagens, a diretora explicou que a educação afro-brasileira faz parte da Lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade de abordar a cultura africana nas escolas. Ela ressaltou que o trabalho pedagógico permanece sob responsabilidade da equipe docente e que não há intenção de impor conteúdos de forma autoritária. O caso envolve ainda a defesa de uma prática educativa prevista por lei.
O pai da aluna, que também é policial militar, acionou a PM alegando que a filha estaria sendo obrigada a assistir a aulas com conteúdo ligado a religiões de matriz africana. O desenrolar levou a uma intervenção policial na unidade, com permanência dos agentes por mais de uma hora e saída por volta das 17h, conforme registrado.
Ao longo da abordagem, o tenente afirmou ter recebido a comunicação de uma ocorrência de intolerância religiosa e citou o direito do denunciante de contestar a prática. A diretora convidou os agentes para uma eventual reunião de mediação com a comunidade escolar para esclarecer o plano de ensino e esclarecer dúvidas sobre o ocorrido.
Em determinado momento, a diretora sugeriu que a escola poderia ser alvo de pressão externa, alegando que a denúncia havia coagido a comunidade escolar. O tenente decidiu encerrar a passagem pela unidade, afirmou que voltaria com uma medida administrativa, e chamou a diretora de mal-educada, conforme o relato das imagens.
Entenda o caso
A Defesa da ação ocorreu com a confirmação de que, em 12 de novembro de 2025, a PM foi acionada após a queixa do pai da aluna. A ocorrência envolveu a presença de agentes armados na escola durante a discussão sobre o conteúdo curricular. A situação gerou debates sobre a aplicação da legislação educacional vigente.
A Secretaria Municipal de Educação informou ter adotado medidas para apoiar a comunidade escolar, citando investimentos em projetos antirracistas. O episódio também resultou no indício formal do pai da aluna por intolerância religiosa, conforme apurado pela Polícia Civil.
O inquérito, envolvendo análise de imagens de câmeras e depoimentos, foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Poder Judiciário em fevereiro de 2026. A reportagem de apuração acompanha os desdobramentos do processo e as respostas oficiais das autoridades.
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