- Mãe denuncia ameaça a filho de 3 anos na Escola de Educação Tio Chico, mantida pela Brigada Militar em Porto Alegre; o caso está no Ministério Público gaúcho.
- A mãe instalou um gravador na mochila da criança após séries de episódios de choro ao chegar à escola e de falta de acolhimento percebida pela família.
- Trechos das gravações, acessados pela BBC News Brasil, mostram o menino chorando, pedindo pela mãe, e uma funcionária dizendo: “Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro.”
- A família relata ainda episódios de mordida sem explicação, febre alta sem aviso e assadura severa; a mãe diz que a escola minimizava as ocorrências.
- A mãe afirma ter tentado contato com a professora e com a coordenadora da escola sem retorno ou orientação adequada.
A psicóloga Shaiane Costa apresentou uma denúncia de maus-tratos envolvendo a Escola de Educação Tio Chico, instituição mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A mãe afirma que o filho, de 3 anos, passou a apresentar medo ao chegar à escola e acordava chorando em casa, com sinais de sofrimento na adaptação.
A escola, situada em Porto Alegre, atende filhos de brigadistas com idade entre 2 e 6 anos e exige pré-requisitos de matrícula. O período de adaptação foi concluído, segundo a família, mas episódios chamaram a atenção da mãe, incluindo mordidas sem explicação, gripe súbita e uma assadura grave que dificultou a marcha do menino.
Gravador na mochila e gravações secretas
Para entender o que ocorria do portão para dentro, a mãe instalou um gravador na mochila da criança, após repetidos pedidos de socorro e comunicação falha por parte da instituição. Ao retornar, o menino apresentava voz áspera e relatos de constrangimento durante o dia.
Trechos obtidos pela BBC News Brasil contêm o relato da mãe sobre o conteúdo das gravações, com o choro da criança ao pedir pela mãe e situações de severo constrangimento relatadas pela família. A gravação também traz falas de responsáveis da escola, que não teriam reconhecido negligência.
Comunicação com a escola
A mãe afirma que tentou contato com a professora e a coordenação, sem retorno ou acolhimento. Segundo os relatos, mensagens eram consideradas minimizadas pela equipe, o que motivou a decisão de registrar as ocorrências de forma independente.
A denúncia envolve a alegação de uma ameaça verbal contra a criança, com frase que, segundo a mãe, sugeria punição física caso a criança insistisse em chorar ou se comportar de forma não desejada. A divulgação completa dos trechos ocorreu por meio de apuração jornalística.
Implicações e próximos passos
O caso está em análise pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. As autoridades devem avaliar a veracidade das informações apresentadas pela mãe, bem como se houve falha na fiscalização da escola. A instituição não se manifestou no material divulgado.
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