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Altas taxas de aprovação escolar ocultam problemas

Taxas de aprovação muito altas ocultam falhas no monitoramento da frequência e impacto no Ideb, associadas à progressão continuada no Pará

Aula do ensino médio em escola estadual, em Belém (PA)
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  • Dados do Censo Escolar 2025 mostram taxa de aprovação no ensino médio de 94,3% nas redes estaduais.
  • Quatro estados têm quase todos os alunos aprovados: Piaui 99,5%; Pará 99,3%; Mato Grosso 99,2%; Espírito Santo 98,8%.
  • Pará adotou, em 2023, a progressão continuada, em que a reprovação ocorre apenas ao final do ciclo; outras redes também usam critério de frequência (faltas acima de 25%).
  • Em 2023, o Pará registrou 100% de aprovação nos 1º e 2º anos, frente a 73,3% e 76,9% no ano anterior, apontando risco de mascarar a frequência e a evasão.
  • O IDEB aponta que altas taxas de aprovação podem distorcer dados de aprendizado; o índice subiu de 3,0 em 2021 para 4,3 em 2023, enquanto avaliações internacionais como o PISA mostram desempenho aquém do desejado.

O Censo Escolar 2025 aponta índices de aprovação no ensino médio de redes estaduais muito próximos da totalidade de estudantes. A taxa média foi de 94,3% entre as escolas estaduais, com a maior concentração de alunos nessa rede.

Entre os estados, quatro registraram aprovações acima de 98%. O Piauí lidera com 99,5%, seguido pelo Pará com 99,3%, Mato Grosso com 99,2% e o Espírito Santo com 98,8%. Os dados sinalizam alto aproveitamento, mas levantam dúvidas sobre o método de aferição.

Progressão continuada e frequências

No modelo de progressão continuada, o aluno só pode ser reprovado ao fim de um ciclo de aprendizagem, não ao término do ano. No ensino médio, a reprovação ocorreria apenas no 3º ano, o que levanta preocupações sobre evasão e monitoramento de frequência.

O Pará adotou a progressão continuada em 2023. Outras redes também passaram a considerar a frequência; faltas superiores a 25% podem levar à reprovação no ano letivo. Em 2023, as taxas de aprovação nos 1º e 2º anos do Pará chegaram a 100%.

Impactos no Ideb e no desempenho

Especialistas destacam que a prática pode dificultar o monitoramento da frequência, um indicador importante para evitar abandono escolar. A evolução do Ideb, que mescla desempenho em prova e aprovação, também fica sujeita a alterações nos dados de aprovação.

A média das escolas paraenses subiu de 3,0 em 2021 para 4,3 em 2023, ano da última edição do Ideb. Se o índice de aprovação anterior tivesse sido mantido, o estado poderia ter atingido 3,4, segundo fontes consultadas.

Desempenho em avaliações internacionais

Dados demonstram que altas taxas de aprovação não correspondem necessariamente a aprendizado sólido. Em avaliações internacionais, como o Pisa, o Brasil continua apresentando resultados aquém do desejável, o que alimenta o debate sobre qualidade da educação.

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