- O teak de Myanmar é alvo de controvérsia na construção de iates, com dúvidas sobre a legalidade de suas origens.
- O iate de Jeff Bezos, o Y721, pode usar teak, conforme informa a Oceanco, que diz empregar madeira de origem legal e verificada por terceiros; o custo do projeto supera US$ 500 milhões.
- A União Europeia impôs sanções a Myanmar após denúncias de violações de direitos humanos, dificultando importações diretas, mas o contrabando persiste devido a falhas de fiscalização.
- A Environmental Investigation Agency questionou Bezos em redes sociais sobre o uso de madeira para fins privados, e o empresário não respondeu aos contatos.
- Em busca de alternativas, a indústria testa decking com madeira plantada, bambu e outros materiais, mas o teak natural segue valorizado, mantendo pressão por legislação mais rígida e transparência na cadeia de suprimentos.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, está associado a um novo superiate estimado em mais de US$ 500 milhões. O casco em aço e superestrutura de alumínio da Y721, da Oceanco, ainda não foi confirmado se utiliza teca de Myanmar, madeira amplamente associada a violações legais. A ONG ambiental EIA questionou o uso da madeira.
A Y721 é apresentada pela Oceanco como 417 pés (127 m) de comprimento, com casco e deck de teca. A empresa afirma seguir a regulação da UE sobre madeira, com verificação de durabilidade por terceiros, citando a Double Helix Tracking Technologies. A Onda de questionamentos envolveu Bezos e o uso de madeira rastreável.
A EIA enviou perguntas a Bezos no Twitter sobre o compromisso dele com florestas, após anunciar, em 2020, um Earth Fund de US$ 10 bilhões. Não houve resposta da empresa nem de Mongabay, que pediu informações sobre a origem da teca do Y721.
Ocaso não é incomum no setor de construção de iates, onde a indústria é conhecida pela confidencialidade. A Oceanco não reconheceu publicamente que constrói o Y721 para Bezos. A empresa afirma que a teca utilizada atende às normas da UE e padrões de due diligence.
A teca de Myanmar é valorizada pela resistência ao clima e pela qualidade de acabamento, mas está sujeita a sanções da UE desde 2021. Essas ações visam frear o comércio de madeira com origem no país, hoje sob regime de governo militar. A lei exige comprovação de origem legal da madeira importada.
Especialistas apontam dificuldades de rastreabilidade na cadeia de suprimento. Mesmo com regulamentação, a origem da teca pode ser pouco verificada ao longo de várias etapas de importação, tornando a verificação complexa e sujeita a falhas.
Alguns estaleiros europeus exploram alternativas à teca, como madeira de plantações, teca de plantações e madeiras tratadas, mas ainda não substituem completamente as características da teca natural. Isso ocorre em meio a pressões por maior sustentabilidade no setor de iates.
Para o mercado, a atração da teca permanece: durabilidade, resistência e estética. No entanto, instituições e fabricantes avaliam a viabilidade de reduzir ou eliminar a teca, buscando materiais que combinem desempenho com cadeia de fornecimento transparente e rastreável.
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