- Rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorreu em 2019, deixou centenas de mortos e provocou danos ambientais e socioeconômicos.
- Pesquisa da USP mostrou que atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em Brumadinho quase dobraram após o desastre, chegando a cinco vezes mais que em municípios semelhantes.
- Internações por abusos de substâncias psicoativas também cresceram, com Brumadinho real apresentando números três vezes maiores que a projeção sintética a partir de 2020.
- A prevalência de TEPT, conforme o estudo, varia de 25% a 75% quando há desastres derivados da ação humana, como rompimentos de barragens.
- A metodologia usedou o método de controle sintético, comparando Brumadinho com municípios-padrão de Minas Gerais, com dados do DataSUS, nos períodos anteriores (2013–2018) e posteriores (2019–2022) ao rompimento.
O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, resultou em 272 mortes e devastação ambiental. A tragédia também elevou adoecimentos psíquicos na região, segundo estudo da USP.
A pesquisa analisa dados do DataSUS para avaliar impactos na saúde mental nos anos seguintes ao desastre. Compara Brumadinho a municípios semelhantes de Minas Gerais, buscando entender a evolução dos atendimentos e hospitalizações.
O estudo identifica que a prevalência de TEPT varia conforme o tipo de desastre: de 5% a 60% em eventos naturais e de 25% a 75% quando há desastres decorrentes da ação humana. A pesquisadora aponta trauma social na região.
Metodologia
Priscila Porr empregou o método de controle sintético, comparando Brumadinho com cidades-contraste antes (2013-2018) e depois (2019-2022) do rompimento. Dados de Caps e internações hospitalares foram usados para a comparação.
A amostra abrange atendimentos no Caps e internações por causas psicológicas, com métricas por 100 mil habitantes. Utilizaram dados de 2009 a 2018 antes do evento e 2019 a 2022 após o evento.
Atendimento individuais
Segundo a pesquisadora, Brumadinho já tinha maior volume de atendimentos no Caps do que outros municípios. Após 2019, a diferença aumentou, com Brumadinho chegando a cinco vezes o patamar de referência (de ~10 mil para ~30 mil atendimentos por 100 mil habitantes).
Gráficos da tese mostram evolução de atendimentos em Brumadinho. Acompanhamento aponta alta nos atendimentos psicoterapêuticos em função da pandemia, com queda de sessões em outros municípios.
Número de hospitalizações
Entre 2019 e 2022, as internações por uso de substâncias psicoativas aumentaram consideravelmente em Brumadinho, superando municípios comparáveis. Em 2020, os números reais passaram a superar as estimativas de Brumadinho sintética.
A pesquisadora observa que as internações por causas psicológicas cresceram significativamente, com Brumadinho real apresentando números até três vezes maiores que a projeção sintética a partir de 2020.
Priscila Porr aponta que os indicadores de saúde mental podem se deteriorar com o tempo, especialmente após o fim de indenizações temporárias. O estudo defende acompanhar a evolução para entender impactos prolongados.
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