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Aumento de filhos adultos que não saem de casa e seu impacto familiar

Filhos adultos voltam a morar com os pais; saúde mental tende a melhorar, mas exigem limites, aluguel e revisão de planos de aposentadoria.

‘It’s not even childhood going on longer; it’s a different type of adulthood.’ Illustration: Pat Thomas/The Guardian
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  • No Reino Unido, quase metade dos 25 anos vivem com os pais, refletindo uma mudança no conceito de ninho vazio.
  • Pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (ISER) aponta que quinze por cento de jovens de 21 a 35 anos voltaram para casa pelo menos uma vez entre 2009 e 2020.
  • Manter a porta aberta pode ocorrer por aluguel alto, desemprego juvenil e dificuldade de os jovens comprarem moradia, o que impacta as dinâmicas familiares.
  • Estudos indicam que, para os pais, acolher novamente os filhos pode reduzir a qualidade de vida, mas, para os jovens, retornar para casa pode melhorar a saúde mental.
  • Especialistas sugerem estabelecer regras e limites, considerar aluguel, downsizing ou aluguel de quartos para manter a segurança financeira dos pais durante a aposentadoria.

O retorno dos filhos para a casa dos pais deixa de ser exceção para se tornar uma prática comum em muitos lares do Reino Unido. Dados recentes indicam que quase metade de jovens de 25 anos ainda mora com os responsáveis, antes angariando histórias de vida que incluem estudos interrompidos, empregos em construção e crises de saúde mental.

A análise do Institute for Social and Economic Research (ISER) mostra que 15% de pessoas entre 21 e 35 anos boomerangaram de volta a casa ao menos uma vez entre 2009 e 2020. O cenário reflete alto custo de aluguel, desemprego jovem e a percepção de que manter as portas abertas pode ser uma resposta prática à conjuntura.

O estudo de uma equipe da London School of Economics aponta que pais de meia-idade que tiveram o ninho reocupado apresentaram queda na qualidade de vida semelhante à de pessoas com deficiência relacionada à idade. Enquanto as famílias ajustam a dinâmica, a Institute for Fiscal Studies aponta que 43% dos britânicos de 25 anos moram com os pais.

Mudança de panorama familiar

Casos descritos mostram a diversidade de impactos. Serena, 63, acolhe três filhos adultos: o 23º estudante, o 28º professor que poupa para a casa, e o 34º que passou por uma crise de saúde mental. A rotina inclui tarefas domésticas amplas e um quarto ocupado como quarto de hóspedes, gerando sensação de riqueza na convivência, mas também a ausência de um rito de passagem.

Roberto e a esposa avaliam como manter a relação com o filho mais velho que voltou após a universidade. O casal planejava viajar, mas o retorno provou a necessidade de definir responsabilidades e limites, mesmo mantendo a sympathia pela circunstância.

Benefícios para alguns

Estudos indicam melhoria na saúde mental de jovens que retornam ao lar, em contraste com moradia estudantil precária. Pesquisadores da Essex destacam que a presença de um lar estável funciona como rede de proteção, reduzindo estresse e incertezas financeiras.

Por outro lado, especialistas ressaltam que o retorno exige ajustes. Pais podem precisar de regras sobre tarefas, custos e privacidade. A orientação financeira sugere que manter o próprio equilíbrio é essencial, com possibilidade de reduzir tamanho da casa ou cobrar aluguel para sustentar a aposentadoria.

Perspectivas e conselhos

Profissionais recomendam planejamento de independência desde cedo: envolvimento dos jovens em orçamentos, contas e economias. Para famílias com crianças pequenas, a meta é promover autonomia gradual, preparando o caminho para futuras fases de vida.

Em casos de retorno definitivo, a orientação é buscar equilíbrio entre apoio e limites, evitando sobrecarga financeira dos pais e preservando o bem-estar de todos. O tema segue em debate, com a tendência de transformar o “ninho vazio” em um conceito mais fluido de convivência multigeracional.

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