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Cuidadoras de parto radicais sem qualificação ganham espaço no Canadá

Casos ligados à Free Birth Society provocam mortes e complicações; autoridades canadenses intensificam avisos e ações contra atendentes não licenciados

Emma Cardinal, who became pregnant in May 2023.
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  • A investigação do Guardian associa 48 casos de mortes ou danos graves a práticas ligadas à Free Birth Society e a assistentes de parto não licenciadas.
  • Emma Cardinal, influenciada pelo conteúdo da FBS, escolheu o parto sem intervenção médica; seu filho Floyd nasceu morto em 2024 e ela precisou de cirurgia após complicações.
  • Partes da FBS promovem parcerias com birth keepers radicais (RBKs), que atuam sem registro e muitas vezes sem atendimento médico, gerando críticas e riscos.
  • Glória Lemay, figura controversa de parto não licenciados, aguarda julgamento por homicídio culposo; autoridades em várias províncias canadenses警告 sobre RBKs e prática não regulamentada.
  • A BC College of Nurses and Midwives emitiu avisos sobre RBKs, e uma RBK ligada à FBS foi banida de hospitais de Alberta; há casos de bebês que adoeceram ou morreram após atendimentos ligados à FBS.

Em uma investigação sobre práticas de parto fora do sistema médico, o Guardian faz um panorama sobre a Free Birth Society (FBS) e o movimento de birthkeepers radicais no Canadá. O foco é a disseminação de informações sem assistência profissional e as consequências para mães e recém-nascidos.

O caso de Floyd, filho de Emma Cardinal, é central. Cardinal optou por um parto sem intervenção após ouvir o conteúdo da FBS, mesmo com histórico familiar de perda perinatal. Floyd nasceu sem sinais de vida em 2024, em circunstâncias posteriores que levaram Cardinal a internação por sepse e a várias cirurgias.

Cardinal relata que recebeu orientações da FBS sobre sinais de alerta e sobre ultrassons, que influenciaram sua decisão. Ela afirma que houve informações incompletas e tendenciosas, associadas a uma visão radical sobre nascimento sem assistência. Em 2025, o caso amplia o escrutínio sobre a veracidade e a segurança de conteúdos promovidos pela FBS.

Consequências legais e ações regulatórias

Gloria Lemay, de Vancouver Island, está presa e enfrenta acusações por homicídio culposo após a morte de uma menina ocorrida 10 dias após o parto em 2024, contexto em que Lemay atuou como atendente. A processo não é novo: em décadas anteriores, Lemay enfrentou investigações e sanções por casos de nascimento letal.

Autoridades canadenses vêm emitindo avisos sobre RBKs, atendentes não licenciadas formadas pela FBS. Em 2023, o BC College of Nurses and Midwives emitiu comunicado alertando sobre uma RBK que atendia no território, sem permissão para a prática. Em Alberta, em 2024, uma atendente ligada à FBS foi proibida de entrar em hospitais, salvo para atendimento médico próprio ou de familiares, após ligação com dois partos que resultaram em óbitos.

A linha de casos envolve ainda a número expressivo de RBKs em Canada, com centenas de formadores sob a bandeira da FBS. O estudo de casos revela escolas como a Radical Birthkeeper School, que já formou centenas de profissionais em mais de 30 países, com lições que vão além dos atendimentos diretos.

O que se sabe até aqui

O Guardian identifica ao menos 22 RBKs no Canadá, com relatos de experiências de clientes que descrevem atendimentos inadequados durante partos. Em alguns casos, pacientes buscaram transferência hospitalar após emergências, mas já houve danos severos. A cobertura pública enfatiza a necessidade de regulação e de medidas de proteção para gestantes.

Entre relatos de mães que seguiram o conteúdo da FBS, algumas descrevem dificuldades psicológicas e médicas após partos sem intervenção. Mal-estar, sequelas e a dor de lidar com a condição de um filho com limitações de saúde são citados por familiares, destacando o peso humano dessa prática.

Profissionais de saúde e organizações de defesa do parto humanizado ressaltam a importância de intervenções médicas quando necessárias. O debate envolve questões de autonomia, biossegurança e a responsabilidade de orientar gestantes para decisões bem informadas, com acesso a serviços de saúde.

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