- Uma bebê morreu em novembro de 2023, quinze dias após parto em casa, de lesão no cérebro, com atraso na transferência para hospital apesar de sinais de sofrimento fetal.
- Um relatório de prevenção de futuras mortes pediu ao Department of Health e ao National Institute for Health and Care Excellence ações para evitar tragédias semelhantes envolvendo doulas, profissionais de apoio não médicos durante a gravidez e o parto.
- O legista de Hampshire afirmou que o acesso da equipe de enfermagem do hospital ao atendimento foi dificultado pela presença da doula durante o parto em 29 de outubro de 2023.
- O legista disse que a doula atuou como um “buffer” e que o parto em casa seguia o plano, o que, segundo ele, pode ter atrasado a transferência e prejudicado o cuidado.
- A Doula UK afirmou que vai revisar políticas e práticas, em parceria com membros e fornecedores de cursos, após o relatório; o texto também cita ações da Doula UK em conjunto com o Nursing and Midwifery Council para esclarecer papéis.
A morte de uma bebê em Hampshire reacendeu preocupações sobre o papel das doulas em partos domiciliares. A morte de Matilda Pomfret-Thomas ocorreu em novembro de 2023, 15 dias após um parto em casa com sinais de sofrimento fetal. A transferência para o hospital ocorreu tarde.
O inquérito concluiu que uma assistente de apoio não médica atrasou o acesso a atendimento hospitalar, contribuindo para o desfecho. A coroner de Hampshire, Henry Charles, destacou falhas na comunicação e na intervenção médica durante o atendimento.
Um relatório de prevenção de mortes futuras, publicado nesta semana, pede ações ao Departamento de Saúde e ao National Institute for Health and Care Excellence. O objetivo é evitar tragédias semelhantes envolvendo doulas.
Contexto do caso
Segundo o inquérito, a equipe de enfermagem do Queen Alexandra Hospital, em Portsmouth, percebeu que o acesso ao parto seria restrito pela presença da doula durante a emergência de 29 de outubro de 2023. A transferência foi oferecida pela primeira vez às 7h19, após detecção de meconílio.
A oferta de transferência foi recusada e repetida às 10h, mesmo com o quadro de trabalho em deterioração. O relato aponta que o atraso não foi comunicado de forma a levar a uma ida ao hospital.
Charles afirmou que a atuação da doula diminuiu a capacidade de a equipe fornecer aconselhamento e cuidado eficaz. O profissional observou que a doula era vista como um elo de confiança para manter a hipótese de parto doméstico.
Regulação e percepções profissionais
O assistente coroner observou que doulas estão cada vez mais presentes, mas não há regulação uniforme. A Doula UK oferece treinamento, mas não regula a prática nem abrange todas as doulas.
Dados do Maternity & Newborn Safety Investigation (MNSI) indicam ausência de norma para doulas e pouca orientação sobre interação com serviços hospitalares. Em casos analisados, doulas foram vistas como interferência ou foram além de suas atribuições.
Em 2023, o MNSI informou que doulas estiveram envolvidas em 29 das 2.827 investigações sobre maternidade. Em 12 casos, houve atuação fora dos limites da função, e o aconselhamento da doula pode ter influenciado pior desfecho, incluindo atraso hospitalar.
Reações e próximos passos
A Doula UK afirmou levar a sério as implicações do relatório e disse que já possui políticas para manter doulas dentro de seu escopo. A organização mencionou revisões de políticas, orientação e formação contínua em conjunto com membros e provedores de cursos.
Em colaboração com o Nursing and Midwifery Council, a Doula UK já participou de iniciativas para esclarecer papéis de doulas e profissionais de parto, visando reduzir ambiguidades nas práticas.
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