- Em setembro de 2015, Gayle Newland foi a julgamento por sexo por decepção, acusada de criar a identidade online masculina Kye Fortune para seduzir uma mulher, com uso de venda-luz e pênis prostético durante os atos.
- A analista Izabella Scott compara o caso a um bed trick literário, questionando a fronteira entre mentira, sexualidade e narrativa judicial, destacando a ideia de que, no sexo, alguém pode ser confundido com outra pessoa.
- A acusadora Miss X afirmou ter sido enganada por um rapaz no Facebook, com falsas doenças para adiar encontros, além de encontros em hotéis com olhos vendados; Newland também alegou que Miss X sabia que Fortune era a mesma pessoa.
- Newland foi considerada culpada por três crimes de agressão sexual na primeira sentença; no retrial, em 2017, a condenação foi mantida e ela cumpriu seis anos de prisão, entrando no registro de agressors sexuais.
- O texto analisa o uso da chamada “jurisprudência McNally” para crimes de “fraude de gênero” e discute implicações para pessoas trans, além de situar o caso na história de leis sobre consentimento e estupro.
A obra The Bed Trick, de Izabella Scott, analisa o julgamento de Gayle Newland, ocorrido em 2015, por sexo mediante fraude. O caso envolveu a criação online de uma identidade masculina, Kye Fortune, para enganar uma mulher e manter relacionamentos sexuais, com uso de venda de enganadores como olhos vendados e um falo protético. A vítima descobriu a farsa ao notar características da relação presencial. A história ganhou destaque internacional pela natureza incomum da fraude.
Scott utiliza o episódio para discutir temas literários e sociais de duplicidade sexual. A autora compara o enredo real com a antiga situação literária conhecida como bed trick, presente em fábulas, dramaturgia e romances, onde alguém é enganado em uma relação sexual. O objetivo é destacar como a história real espelha narrativas de ficção já estudadas.
No julgamento de Newland, a defesa argumentou que não houve bed trick e que as duas jovens eram lésbicas, com Fortune sendo uma construção voluntária de Newland para expressar sua sexualidade. A acusação sustentou que o engano foi deliberado para permitir encontros íntimos sem que a outra pessoa soubesse quem era.
A vítima, designada Miss X, afirmou ter sido atraída por um homem no Facebook, com várias mentiras sobre saúde e situações que dificultavam encontros presenciais. Segundo o processo, os encontros foram marcados com uso de venda de desculpas médicas para manter a relação com o uso de um véu de cegueira.
O julgamento de 2015 considerou Newland culpada de três imputações de agressão sexual. Em retrial, em 2017, a condenação foi mantida, levando-a a cumprir seis anos de prisão. O caso passou a ser estudado como parte de debates sobre consentimento e fraude de gênero.
Contexto histórico e implicações legais
A obra de Scott questiona como o tribunal lida com a verdade e a mentira em casos de rape e agressão sexual, destacando o impacto social da exposição pública dos envolvidos. O livro também discute a transição entre leis antigas e atualizadas sobre consentimento, incluindo a aplicação de princípios jurídicos que tratam de fraude de gênero.
O texto observa que o conceito de fraude de gênero não é novo, tendo raízes na legislação vitoriana. A autora aponta como o tema ganhou relevância com casos recentes de condenação sob princípios derivados de precedentes legais que reconhecem que a apresentação de gênero pode anular o consentimento em determinadas situações.
Scott analisa ainda a relação entre identidade de gênero, segredo e direito, mostrando como a narrativa litigiosa revela tensões entre narrativas de verdade, sexualidade e pertencimento social. O estudo também chega a discutir casos de políticas públicas e a forma como a sociedade encara a privacidade das vidas privadas.
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