- Áudios de um porteiro indicam que adolescentes teriam agredido o cão Orelha, animal comunitário morto por maus-tratos em Florianópolis, no início de janeiro.
- A defesa afirma que não há vídeo comprovando o crime e que mensagens entre vigilantes teriam criado a suposição de envolvimento dos jovens.
- Três familiares foram indiciados por coagir uma testemunha, supostamente o porteiro, no inquérito sobre a morte do cão.
- Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, mas não foi localizada a arma de fogo que seria usada para ameaçar a testemunha.
- A investigação também aponta possível tortura ao Orelha, tentativa de afogamento de outro cão chamado Caramelo, além de crimes contra patrimônio e honra; mais de vinte pessoas já foram ouvidas.
O cão Orelha, animal comunitário morto por maus-tratos em Florianópolis, no início de janeiro, integra uma nova linha da investigação. Áudios obtidos pela CNN Brasil mostram um porteiro afirmando que o grupo de jovens suspeitos agrediu o animal e agiu na área da barraca do local.
Segundo o áudio, o porteiro relatou que, na mesma noite em que houve uma confusão envolvendo os adolescentes, o grupo teria desferido pauladas no cão e mexido na barraca. Ainda conforme a gravação, o funcionário teria feito fotos dos jovens e comentado sobre eles em um grupo de vigilantes.
A defesa dos adolescentes afirma que as mensagens geraram a suposição de envolvimento no crime sem existirem provas consistentes. Também sustenta que nenhum vídeo que comprove a agressão foi divulgado até o momento.
Indiciamentos e operações policiais
A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três familiares dos suspeitos por coagir uma testemunha, supostamente o porteiro envolvido. Os indícios surgem após interrogatórios realizados na investigação.
No dia 26 de janeiro, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados para localizar uma possível arma de fogo, utilizada para ameaçar a testemunha. O objeto não foi localizado.
A defesa dos pais afirma que não houve coação e que as conversas ocorreram antes da repercussão pública do caso. Alegam ainda que o áudio do porteiro só apareceu após desavenças entre grupos de moradores da região.
Expansão da apuração e novos indícios
Relatórios da polícia apontam a participação do grupo em uma tortura que levou o Órrela à eutanásia. Ainda, há suspeita de uma tentativa de afogamento de outro cachorro, o Caramelo, que conseguiu escapar.
Além de maus-tratos, a investigação analisa atos relativos à depredação de patrimônio e ataques à honra de profissionais que atuam na praia Brava. O caso já envolve procedimentos na Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente.
Mais de 20 crianças e adultos já foram ouvidos pelas autoridades nas oitivas do caso. Celulares e dispositivos eletrônicos dos adolescentes foram apreendidos e seguem sob análise pela polícia.
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