- Exposição em Bristol celebra 40 anos de The Last Resort, livro que projetou Martin Parr internacionalmente, com a fundação reabrindo após sua morte no ano passado.
- A mostra apresenta a sequência original completa, imagens não utilizadas no livro e material de arquivo para oferecer novo contexto ao projeto.
- Parr passou a usar cor e um estilo mais direto, gerando críticas de que suas fotos eram intrusivas, especialmente entre leitores britânicos na época.
- Críticos britânicos da época reprovaram a visão de Parr como voyeurismo e a falta de romantização de temas sociais, gerando debate sobre classe e representação.
- A mostra acompanha uma edição fac-símile de 40 anos, com design original, a ser publicada pela editora Dewi Lewis no outono, com depoimentos de Susie Parr e de colaboradores.
Forty anos após o lançamento, The Last Resort volta aos holofotes com uma exposição na Martin Parr Foundation, em Bristol. A mostra revisita o photobook que colocou Parr no centro internacional da fotografia e marca a reabertura da instituição após a morte do artista no fim do ano passado.
A exposição exibe a sequência original completa, além de imagens não utilizadas no livro, com material de arquivo para oferecer novo contexto ao projeto. A curadoria pretende destacar a evolução estética de Parr, que migrou do preto e branco para a cor, revelando um olhar aguçado sobre a sociedade britânica dos anos 1980.
Parr ganhou alcance mundial após a exibição em Serpentine Gallery, em Londres, em 1986, levantando críticas entre britânicos pela abordagem considerada por alguns como voyeurística. A mostra na fundação busca contextualizar esse debate e apresentar a obra como parte de um registro social.
A curadoria da Fundação inclui crítica e correspondência sobre a produção e recepção da série. Funcionários que trabalharam com Parr por anos ajudam a preservar depoimentos de envolvidos na criação, como Peter Brawne, responsável pelo design original da edição.
Uma faceta da programação é a reprodução do design original do livro em uma edição fac-símile, prevista para sair no outono, pela editora Dewi Lewis. A mostra também reúne relatos da esposa de Parr, Susie, que viveu em Wallasey, próxima a Liverpool.
Susie Parr relembra a vida no entorno, as mudanças de cenário entre a costa de Irlanda e a região da Mersey, e a repercussão da fase colorida de Martin Parr. Ela descreve o choque entre o colorido áspero das imagens e o contexto político da época, ressaltando o extraordinário valor do conjunto.
A mostra permanece aberta ao público de 20 de fevereiro a 24 de maio, no Martin Parr Foundation, em Bristol. O projeto, organizado em parceria com a editora e com a equipe de Parr, reforça o legado crítico e estético do fotógrafo britânico.
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