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Quase metade dos brasileiros trabalha em ambientes com insegurança psicológica

Quase metade dos trabalhadores em 35 grandes empresas atua em ambientes de insegurança psicológica, com alto risco de sofrimento psíquico e burnout

Getty Images Em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos por questões de saúde mental, o segundo recorde da série histórica dos últimos dez anos
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  • Estudo com 174 mil profissionais de 35 grandes empresas aponta que 45% trabalham em ambientes de insegurança psicológica.
  • Sinais incluem sofrimento psíquico em 37,8% da força de trabalho, com quase 15% em nível severo; ideação suicida em 15% e burnout em 6%.
  • Em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos por questões de saúde mental, segundo o Ministério da Previdência Social.
  • Entre 17% dos ouvidos, houve relatos de assédio no trabalho, sendo 72% assédio moral e 28% assédio sexual; 78% a 84% dos episódios não são denunciados.
  • A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) foi adiada para este ano; a norma passou a exigir identificação de riscos psicossociais e medidas de proteção à saúde mental.

O estudo conduzido pela Vittude, plataforma de terapia online, ouviu 174 mil profissionais em 35 grandes empresas. Em 2025, 45% trabalham em ambientes de insegurança psicológica, segundo a pesquisa. O levantamento aponta que a atmosfera no dia a dia costuma promover medo e exclusão.

Entre as empresas com melhor desempenho em segurança psicológica estão RD Saúde, Adidas e Sodexo, segundo Tatiana Pimenta, fundadora da Vittude. A investigação também aponta que 37,8% da força de trabalho apresenta sofrimento psíquico, com quase 15% em nível severo.

Somente em 2025, o Ministério da Previdência registrou mais de 546 mil afastamentos por questões de saúde mental, segundo dados oficiais. A barreira entre saúde mental e desempenho corporativo fica evidente nos impactos para resultados e inovação.

O estudo também indica impactos de assédio no trabalho. Do total de respondentes, 17% relataram ter sofrido ou presenciado casos, sendo 72% de assédio moral. O assédio sexual representa 28% dos relatos e tende a acometer mais mulheres.

Condutas abusivas costumam permanecer sem denúncia: entre 78% e 84% dos episódios não são comunicados. A falta de canais efetivos e a desconfiança nas respostas das lideranças ajudam a manter o silêncio.

Sinais e pilares da segurança psicológica

A pesquisa usa cinco pilares para medir o ambiente: autonomia, suporte, equidade, pertencimento e saúde mental. Autonomia envolve não punir quem erra; suporte, a sensação de apoio; equidade, tratamento justo; pertencimento, ser quem é; saúde mental, abertura para tratar o tema sem estigmas.

Em ambientes com alta segurança psicológica, 29% dos respondentes não apresentam propensão ao burnout. Esses espaços favorecem inovação, aprendizado e colaboração entre equipes, segundo a autora.

A NR-1, atualizada, passou a exigir que empresas identifiquem riscos psicossociais e adotem medidas para proteger a saúde mental. A adaptação ainda é incipiente em muitos setores, conforme avaliações da Vittude.

Empresas como a Sodexo aparecem entre as melhores ranqueadas, ampliando ações de prevenção e formando socorristas em saúde mental. A diretora de RH no Brasil destaca maior transparência e diálogo entre liderança e pessoas.

A executiva aponta que a responsabilidade é compartilhada: começa no indivíduo, mas depende de políticas empresariais que capacitem equipes e sustentem o debate. Trilhas de cultura organizacional ajudam a disseminar práticas saudáveis.

Para avançar, recomenda-se explicar valores, comportamentos esperados e como construir segurança psicológica. A comunicação não violenta, feedback claro e políticas consistentes devem permear todo o trabalho, não apenas ações pontuais.

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