- Adolescentes postam vídeos no TikTok mostrando uso de drogas, com pupilas dilatadas e, às vezes, sozinhos, frequentemente sob a hashtag #Pingtok.
- Os vídeos alcançam milhões de visualizações, revelando uma nova visibilidade do uso de entorpecentes nas redes.
- O termo Pingtok vem de “Ping” (MDMA) e a prática usa algospeak (códigos, emojis e sons) para burlar a moderação.
- O TikTok afirma remover conteúdo que viola regras, mas a circulação de variações da hashtag mostra dificuldade em impedir a prática.
- Especialistas alertam que redes sociais também podem oferecer apoio, mas há relatos de traficantes que respondem a buscas e convidam para grupos no Telegram.
O TikTok registra uma ascensão de conteúdos em que jovens expõem o uso de entorpecentes, com vídeos que mostram pupilas dilatadas e momentos de euforia. A prática tem ganhado milhões de visualizações, frequentemente associadas à hashtag Pingtok, o que acende o debate sobre a visibilidade do consumo de drogas nas redes.
A tendência é vista como uma mudança na forma de compartilhar o uso de drogas: o conteúdo deixa de ocorrer apenas em segredo e passa a ser produzido publicamente, com potencial de influenciar outros menores. Especialistas alertam para riscos graves, incluindo a possibilidade de intoxicação e consequências psicológicas.
Segundo relatos de uma influenciadora que trabalha com conscientização de vícios, há um fluxo de mensagens de jovens que relatam dificuldades com dependência e traumas. Ela descreve que muitos seguidores buscaram apoio, mas também houve relatos de pressão e experimentação impulsionados por conteúdos da plataforma.
A plataforma afirma agir rapidamente para remover conteúdos que promovem ou vendem drogas, ressaltando que a segurança da comunidade é prioridade. Mesmo assim, especialistas apontam que a moderação enfrenta dificuldades devido ao uso de códigos, emojis e termos específicos que dificultam a identificação do material violador.
O fenômeno também envolve uma faceta de mercado informal: usuários comentam sobre disponibilidade de substâncias em grupos de bate-papo e mensagens diretas, com sinais de venda que partem de símbolos simples e evoluem para redes de negociação a partir de aplicativos de mensagens. A preocupação é com o alcance entre menores de idade que acessam as redes.
Diversos países estudam ou já adotaram medidas para restringir o acesso de menores às redes sociais, diante de relatos sobre adesão a conteúdos potencialmente danosos. Em alguns casos, governos discutem ou implementam regras para proteger jovens, ainda que haja debate sobre eficácia e impactos de tais proibições. Especialistas ressaltam a necessidade de abordar o tema de forma equilibrada, considerando aspectos de prevenção e apoio a quem busca ajuda.
Pesquisas internacionais indicam que, embora haja conteúdo informativo e de apoio disponível, o ambiente online pode facilitar o isolamento e o consumo sem supervisão. Em contrapartida, estudos também destacam que plataformas podem servir como canal de apoio, desde que haja moderação sensível e participação de comunidades afetadas.
Estudiosos ressaltam a importância de ações de prevenção que integrem o online ao mundo offline, com participação de profissionais de saúde, educadores e redes de assistência social. A ideia é reforçar caminhos de ajuda sem suprimir conteúdos educativos ou de apoio que ocorram na internet.
Para leitores que buscam compreender o tema, fontes apontam a necessidade de avaliação de políticas públicas, bem como de estratégias que equilibrem proteção de menores e acesso a informações úteis. Em âmbito internacional, há propostas de regulamentação que ainda dividem opiniões entre especialistas, governos e a sociedade.
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