- A NTSB divulgou detalhes finais dos minutos que antecederam a colisão no aeroporto LaGuardia, em Nova York, sugerindo que os controladores podem ter ficado distraídos diante de uma emergência com a United Airlines Flight 2384.
- Aeronave da United ficou no pátio por mais de duas horas, abortou duas decolagens e declarou emergência às 23h31, quando foi pedido um gate; havia odor no avião que deixou a tripulação indisposta.
- Air Canada Express Flight 8646 recebeu autorização para pousar na Runway 4, com passagem de 1 000 pés de altitude a menos de 2 minutos da colisão; houve relato de que uma comissária avisou passageiros para deixarem bagagens, sem esclarecer o motivo.
- Veículo de combate a incêndio, o Truck 1, teve autorização para cruzar a Runway 4 cerca de 25 segundos antes do acidente, com resposta rápida dos controladores.
- A leitura de volta da autorização ocorreu 12 a 17 segundos antes do choque; a aeronave estava a aproximadamente 30 pés do solo quando o controlador pediu paradas ao veículo de incêndio, que não ficou claro se ouviu as instruções; o choque ocorreu pouco depois, com a cadência de ordens “pare, pare” repetidas.
O National Transportation Safety Board divulgou novos detalhes sobre os minutos finais antes da colisão entre um jato da Air Canada e um caminhão de bombeiros no Aeroporto LaGuardia, em Nova York. A tragédia, ocorrida no domingo à noite, deixou dois pilotos mortos e dezenas de feridos. As informações foram obtidas a partir de cronologia oficial e de gravações de áudio da torre, analisadas pelo The New York Times.
Segundo as autoridades, os controladores de tráfego podem ter ficado distraídos pouco antes do acidente, conforme as transcrições e o registro de áudio revisados. A linha do tempo aponta para uma série de eventos que se desenrolaram em questão de minutos, refletindo falhas de comunicação entre aeródromos e equipes de solo.
O que aconteceu nos minutos anteriores
Antes do choque, a tripulação da United Airlines Flight 2384 solicitou assistência e enfrentou um atraso na decolagem, após ficar estacionada no pátio por mais de duas horas. A aeronave, com destino a Chicago, abortou duas tentativas de decolagem dentro de 40 minutos.
A aeronave foi declarada em emergência por volta das 23h31 e recebeu a orientação de aguardar junto ao portão, com relatos de odor que afetou a tripulação. Quatro minutos depois, o avião recebeu o portão designado e permaneceu à espera de atendimento de emergência.
Aproximação da Air Canada e ordem de aterrissagem
A Air Canada Express Flight 8646 foi autorizada a aterrissar na Runway 4 de LaGuardia. O controlador de aproximação direcionou a aeronave a contatar a torre e confirmou que a Air Canada era a segunda na fila para aterrissar.
A aeronave chegou a cerca de 1.000 pés do solo em um chamado eletrônico de precisão, a aproximadamente 1 minuto e 26 segundos antes do acidente. Segundo testemunhas, houve indicativo de instrução para deixar bagagens, sem explicação clara.
O cruzamento com a emergência no pátio
Entre 20 e 28 segundos antes do impacto, o caminhão de bombeiros designado como Truck 1 solicitou cruzar a Runway 4, na Taxiway D, para responder à emergência envolvendo a aeronave da United. Cinco segundos após a solicitação, a autorização foi dada pelo controle para cruzar.
Aproximação do choque
Entre 12 e 17 segundos antes do choque, o caminhão confirmou a leitura da autorização de cruzamento com a torre. Enquanto a Air Canada se aproximava a apenas alguns segundos do solo, a torre pediu que outra aeronave aguardasse em posição segura.
Nove segundos antes do impacto, o controlador ordenou a parada do caminhão. Veículos atrás não avançaram para a pista. A cabine de comando da Air Canada registrou o pouso com o som de atrito no pavimento.
Quatro segundos antes do choque, a torre reiterou a instrução de parar ao caminhão. Autoridades ainda não concluíram se os operadores ouviram ou reconheceram a ordem. O acidente resultou na colisão entre a aeronave e o caminhão, com a aeronave saqueando a pista.
Desdobramentos e apuração
As investigações continuam para esclarecer as causas exatas da colisão e as possíveis falhas de comunicação entre as equipes de solo e a torre de controle. O relatório completo deve indicar medidas para evitar ocorrências semelhantes no futuro. As autoridades reiteram que a prioridade é esclarecer os procedimentos de manejo de tráfego em situações de emergência.
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