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Quadrilha cobrou até 70 mil por aprovação em concursos no Nordeste

Quadrilha fraudava concursos no Nordeste cobrando até R$ 70 mil; infiltração em bancas, clones e dispositivos eletrônicos resultam em prisões em PE e RN

Ao todo, foram expedidos 37 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão em Pernambuco e no Rio Grande do Norte
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  • Duas operações da Polícia Civil em Pernambuco e Rio Grande do Norte miraram uma quadrilha que fraudava concursos há cerca de dez anos, com prisões e cumprimento de buscas.
  • Candidatos pagavam até R$ 70 mil para obter aprovação em seleções públicas; o grupo utilizava infiltração em bancas, “clones” e dispositivos eletrônicos para burlar as provas.
  • Na operação Kyma, uma pessoa se infiltrava na banca, capturava conteúdos das provas e repassava aos líderes, que distribuíam as questões e devolviam os gabaritos aos clientes.
  • As investigações começaram no fim de 2025, após denúncias, com cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e outros órgãos, buscando mapear a origem e a atuação do esquema.
  • A Operação Crivo apura fraudes no concurso do TCE-PE com uso de “clones”; há indícios de participação de alguns candidatos e apreensão de materiais para fortalecer as evidências.

Uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos foi alvo de duas operações da Polícia Civil deflagradas nesta quarta-feira (25). As ações investigam irregularidades em seleções do TJPE e do TCE-PE, realizadas em 2025. Entre os detidos estão servidores públicos, incluindo policiais militares de Pernambuco e do Piauí.

Ao todo, foram cumpridos 9 dos 37 mandados de busca e apreensão e de prisão expedidos, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Segundo as investigações, candidatos pagavam até 70 mil reais para obter aprovação em concursos.

Segurança e infiltração

A Operação Kyma apura fraudes no concurso do TJPE. O esquema tinha atuação estruturada e envolvia infiltração no processo de aplicação de provas. Um suspeito supostamente se infiltrava na banca, capturava imagens e repassava ao líder da organização, que distribuía as questões aos clientes.

O grupo utilizava diversos métodos de fraude há cerca de uma década. Alguns candidatos recebiam respostas por meio de dispositivos eletrônicos conectados a celulares adaptados para driblar detectores de metal, enquanto outros tinham acesso prévio ao gabarito e o levavam para consulta durante as provas.

Logística e desdobramentos

Havia suporte logístico no dia das avaliações, com orientações a candidatos sobre como ocultar materiais e consultar respostas sem chamar atenção. A investigação começou no fim de 2025, após denúncias, com cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e outros órgãos.

Conexões entre operações

A Operação Crivo, ligada ao concurso do TCE-PE, identificou o uso de “clones”, pessoas que faziam as provas em nome de candidatos. Esse mosaico levou ao aprofundamento das apurações e à identificação de outros envolvidos. Há indícios de participação de alguns candidatos na logística da fraude, incluindo transporte de equipamentos e captação de novos interessados.

Materiais como provas, celulares e mídias digitais foram apreendidos para reforçar as evidências. A polícia investiga ainda a possível conexão entre os investigados nas duas operações, dada a semelhança de atuação.

Responsabilização e continuidade das apurações

Os suspeitos podem responder por organização criminosa, fraude em concurso público e lavagem de dinheiro, entre outros. As investigações permanecem em andamento, com o objetivo de esclarecer todos os vínculos e responsabilidades.

Operação Concorrência Simulada

A Corregedoria da SDS abriu apuração preliminar sobre o delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, por possível participação em fraude para beneficiar a esposa no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. A PF realizou operação relacionada na semana passada, e a Justiça Federal na Paraíba autorizou mandados. A investigação envolve possível financiamento de uma fraude para favorecer a titular do cargo, auditora-fiscal do Trabalho.

Ao todo, a nova fase da operação determinou prisões preventivas, afastamentos de sigilo telemático e buscas e apreensões em Paraíba, Pernambuco e Alagoas. As apurações apontam atuação de uma organização criminosa especializada em fraudes em concursos públicos, com núcleo em Patos (PB).

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