- A estátua Gattamelata, de Donatello, foi retirada da praça em Pádua para restauração interna pela terceira vez em quase seis séculos, e ainda não se sabe se voltará a ficar ao ar livre ou ficará em museu.
- O restauro, estimado em € 1 milhão, é financiado pelas organizações americanas Friends of Florence e Save Venice, com € 550.000 de cada uma.
- A obra foi movida no mês de outubro passado, após avaliação de danos causados por corrosão, conhecida como “câncer de bronze”, permitindo acesso ao interior da peça.
- Conservadores pretendem iniciar o restauro definitivo em maio, com duração prevista de doze meses, usando técnicas mecânicas, químicas e por laser.
- Independentemente do destino final, o público poderá ver o monumento aos fins de semana durante um programa educativo em um antigo museu, com decisão final sobre a exibição a ser tomada pela Delegação e pela Soprintendenza.
Donatello’s Gattamelata, uma das mais importantes esculturas em bronze do Renascimento, foi retirada de sua praça em Pádua para restauração, abrindo a possibilidade de nunca mais retornar ao espaço externo da Basílica de Santo Antônio. A obra permanece interna durante o processo, que pode durar cerca de 12 meses.
A obra, concluída em 1453, retrata Erasmo da Narni, o Gattamelata, condottiero ao serviço da República de Veneza. O conjunto é composto por 36 peças, elevado sobre um plinto de pedra de quase 8 metros de altura, exposto ao ar livre desde a sua montagem.
A operação de retirada ocorreu no mês passado, com o monumento descolado da base e acomodado em suporte feito de madeira e metal. O cavalo, pesando cerca de 1,6 tonelada, foi içado por guindaste para facilitar o acesso ao interior do bronze.
Restauro, diagnóstico e futuras opções de exibição
Conservação, análises e testes utilizam endoscopia, radares de penetração no solo e ultrassom, entre outros recursos. O objetivo é entender melhor as falhas estruturais e planejar a restauração com segurança.
Paralelamente, está sendo retomada a recuperação do pedestal externo, afetado por desgaste, vibração de tráfego e reformas pós-1945. Consertos visam reduzir risco de queda e melhorar a fixação ao solo em caso de terremoto.
A decisão sobre onde exibí-lo ao final depende de resultados técnicos e de diretrizes oficiais. Conservadores avaliam entre manter a peça em ambiente museal ou devolvê-la a um espaço externo, com custos diferentes de manutenção.
Financiamento e governança
O projeto é financiado por duas organizações americanas, Friends of Florence e Save Venice, com 550 mil euros cada uma. A gestão envolve a Delegação Apostólica de Pádua e a Soprintendenza, órgão de proteção do patrimônio cultural.
Quando as avaliações terminarem, as autoridades responsáveis anunciarão o destino definitivo da obra. Enquanto isso, a visitação pública poderá ocorrer em fins de semana, integrada a um programa educativo financiado pelos doadores.
A parceria entre as organizações tem como objetivo preservar o legado de Donatello e permitir que o público observe a escultura com maior qualidade técnica. A obra permanece como referência histórica do diálogo entre arte pública e conservação.
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