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Horta comunitária na favela do Rio fortalece memória, cuidado e cidadania

No Morro do Salgueiro, horta comunitária do Hortas Cariocas doa colheitas a moradores e à Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias, preservando saberes e enfrentando o calor

Vera Lúcia Silva de Souza, conhecida como tia Vera, em sua casa no alto do Morro do Salgueiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • A horta comunitária do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio, é mantida pelo Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro e recebe apoio da Prefeitura por meio das Hortas Cariocas.
  • Em 2025, as hortas da cidade produziram 74 toneladas; no Salgueiro, a colheita atingiu 700 kg.
  • A casa de Vera Lúcia Silva de Souza, de 74 anos, fica no alto do morro e abriga a horta que complementa a renda da família, além de ser referência de memória e cultivo de plantas medicinais.
  • O espaço surgiu após desapropriação de uma vila na encosta, e hoje funciona como área de cultivo de diversas plantas comestíveis, que também são doadas para a Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias.
  • Integrantes do coletivo destacam a diversidade de plantas utilizadas na comunidade, incluindo ora-pro-nóbis, caruru, taioba e outras, além de orientar moradores sobre o uso de ervas e alimentos.

A horta comunitária do Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio, completa um ano recebendo visitas, cuidadores e doações para moradores da comunidade. O espaço funciona como apoio à renda, com produção de plantas comestíveis que abastecem a Escola Municipal Bombeiro Geraldo Dias e a própria vizinhança.

Vera Lúcia Silva de Souza, 74, participa do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro. A rotina começa cedo para regar as plantas e enfrentar a subida íngreme do morro. Ela ajuda a catalogar espécies e compartilhar saberes tradicionais.

O projeto faz parte do programa Hortas Cariocas, que mantém 84 hortas comunitárias com apoio da Prefeitura. Em 2025, a produção total das hortas da cidade somou 74 toneladas, sendo 700 kg na horta do Salgueiro.

Memória

Vera conta que o manejo da terra pela manhã é mais eficiente. O calor intenso prejudica as plantas, especialmente no verão. As lembranças de infância envolvem remédios caseiros e ervas ensinadas pela mãe e pela avó.

Ela orgulha-se de transformar a casa no alto do morro em referência ambiental. No quintal, plantas como saião, alfavaca e ora-pro-nóbis convivem com a horta comunitária, fortalecendo vínculos com a memória familiar.

Marcelo Rocha, outro integrante, ressalta que a diversidade de plantas comestíveis vai além do que é encontrado em supermercados. Ora-pro-nóbis, caruru, taioba e serralha compõem o repertório tradicional mantido pela comunidade.

Doação e atendimento comunitário

A horta não tem placa de identificação e é conhecida apenas pelos moradores. Os canteiros alimentam a comunidade e também fornecem itens para doação a vozes locais, como a escola mencionada. Profissionais de saúde já indicam ervas a pacientes.

Walace Gonçalves de Oliveira, o Tio Dadá, de 66 anos, reforça que a prática também atende a necessidades específicas de moradores, com entregas de verduras e legumes conforme demanda dos postos de saúde da região.

Origem do espaço e impacto social

A área foi criada após uma desapropriação de uma vila inteira, motivada pelo risco de deslizamento. A comunidade transformou o espaço, formado por encostas, em uma horta produtiva com diversas culturas, incluindo limão e laranja sanguínea.

A prefeitura alega que as hortas urbanas ajudam a reduzir ocupação irregular de terrenos ociosos, promovem inclusão social e oferecem alimentação sem agrotóxicos. O suporte técnico é mantido de forma contínua, com entrega de sementes disponível aos moradores.

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