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Duchamp em evidência 5 artistas que valem ouvir

MoMA revela retrospectiva de Duchamp com cinco artistas reimaginando seu legado, da leitura de readymades à influência contemporânea

Alex Da Corte: *ROY G BIV*, 2022.
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  • Retrospectiva de Marcel Duchamp abre neste fim de semana no Museu de Arte Moderna de Nova York, em cartaz até 22 de agosto.
  • O texto reúne cinco artistas que discutem o legado de Duchamp e como transformaram suas ideias em obras novas.
  • Os enfoques passam por Duchamp como pintor, brincalhão, artista do ready-made, celebridade e pela insistência no movimento e na ambiguidade visual.
  • Cada artista conecta Duchamp a projetos próprios, como Halvorson com paisagens de janela e referência a Fresh Widow, Da Corte com o uso do vidro, Leeson com identidades artificiais, Johnson com ações públicas a partir de gestos privados, e Ortega com obras que brincam com ilusões ópticas.
  • A matéria sublinha a importância de Duchamp para romper fronteiras entre escultura e pintura, tema central da mostra no MoMA.

O MoMA de Nova York abre neste fim de semana uma retrospectiva dedicada a Marcel Duchamp, pesquisando sua produção extensa e diversa. O foco é entender como as ideias do artista influenciaram novas gerações e se desdobram em obras contemporâneas. O conjunto fica em cartaz até 22 de agosto.

O texto contempla five artistas que discutem o legado de Duchamp sob diferentes perspectivas: o pintor, o truqueiro, o artista do readymade, o celebrado e o articulador de constantes mudanças. A curadoria propõe um diálogo entre passado e presente, mantendo o eixo da exposição no impulso de movimento e na recusa de uma única stylisticidade.

Josephine Halvorson

Halvorson afirma ter tido um momento de insight ao observar uma janela do estúdio na Villa Medici, em Roma, entre 2014 e 2015. A experiência gerou obras com o mesmo formato da janela, explorando luz, cor e tempo.

Ela cita a obra Fresh Widow, de Duchamp, como referência que se aproxima de seu próprio trabalho. Halvorson relaciona o readymade com sua prática pictórica, que transforma objetos existentes em pintura, mantendo a ideia de mudança e animação nas imagens.

Para a artista, Duchamp partiu de uma entrada radical na arte a partir do impressionismo. Ela destaca ainda a crítica do artista a movimentos fechados e a presença de uma posição patriarcal dominante, tema que será observado na mostra.

Alex Da Corte

Da Corte descreve a relevância da cor e do vidro na arte do século XX, lembrando o Large Glass de Duchamp, uma peça que o impactou desde a juventude. Ele comenta que a paleta do artista, com ocre e rosa, remete a uma humanidade menos artificial.

O artista atribui ao próprio uso de personas—como em seu envolvimento com Duchamp e com personagens populares—um papel central em suas obras. Em Whitney Biennial de 2022, ele travou diálogos entre Duchamp, Rrose Sélavy e o Joker, explorando identidades culturais.

Da Corte também cita a circulação de ideias entre Duchamp, publicações e salões artísticos, bem como a linguagem como parte crucial das relações entre artistas. Ele destaca a relação entre vidro, imagem e tecnologia na atualidade.

Lynn Hershman Leeson

Leeson relembra o encontro com Duchamp em uma palestra de museu ainda jovem. A partir daí, ela desenvolveu videoinstalações para explorar suas ideias sobre identidade, reinvenção e a relação entre artista e público.

A artista enfatiza a multiplicidade de identidades de Duchamp, a figura de Rrose Sélavy, e a proposição de criar identidades fictícias com documentação que as tornaria reais. Leeson explica o conceito de Roberta Breitmore, experiência que questiona a construção da identidade.

Entre seus trabalhos, destaca o filme de 1984 sobre Duchamp, que reúne curadores e críticos próximos ao artista. A prática de Leeson se associa ao modo como Duchamp movimentou obras entre vida cotidiana e produção artística.

David L. Johnson

Johnson comenta que a leitura de The Afternoon Interviews, de Paul Chan, ajudou a compreender Duchamp em palavras próprias. Ele analisa a transição do privado para o público na criação dos readymades.

O artista reforça a ideia de que Duchamp moveu o eixo entre obra e circulação social, às vezes de forma anti-social. Johnson observa a participação de Duchamp em curadorias e na cena de galerias, ampliando o alcance do readymade.

Sua prática atual envolve remover objetos do ambiente construído para ampliar o espaço urbano e renovar formas de sociabilidade. Ele vê o readymade como um ponto de partida para discutir a relação entre arte e vida cotidiana.

Damián Ortega

Ortega rememora recomendações de Gabriel Orozco e Octavio Paz sobre Duchamp, destacando a ideia de que o artista não fazia certas coisas. O mexicano cita o diálogo com Duchamp como catalyst para sua própria edição, Alias.

Para Ortega, Duchamp inaugurou uma nova forma de escultura, incorporando política, filosofia e individualidade. Ele comenta a transposição de ideias para o contexto latino-americano, incluindo a obra América Letrina, que dialoga com a peça Fountain.

Na prática, o artista utiliza ilusões ópticas e movimentos de rotação para criar tensões visuais entre o objeto e o observador. Ortega vê Duchamp como uma referência para questionar a forma adequada de se olhar a arte.

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