- A taxa de fecundidade no Brasil caiu de cerca de 6,3 filhos por mulher na década de 1960 para 1,6 em 2022, abaixo do nível de reposição de 2,1.
- Indicadores internacionais mostram que a maternidade pode reduzir ganhos das mulheres após o nascimento do primeiro filho, em média entre 20% e 30%.
- Esses fatores ajudam a explicar por que ter filhos passou a ser uma escolha mais complexa e, muitas vezes, adiada.
- O livro Ter ou não ter filhos, de Ruth Manus, reúne dados, relatos e reflexões para discutir os dilemas atuais da decisão.
- A discussão sobre maternidade ganha espaço no ambiente corporativo, com temas como licença parental, retenção de talentos e impacto na carreira, além do aumento do acesso à educação e aos métodos contraceptivos.
A maternidade deixou de seguir um roteiro previsível no Brasil, segundo dados do IBGE e estudos internacionais. A taxa de fecundidade no país caiu de 6,3 filhos por mulher nos anos 60 para 1,6 em 2022, quando ainda não houve sinal de reversão. Mulheres vêm adiando ou optando por não ter filhos, em meio a mudanças econômicas, sociais e culturais.
Estudos do National Bureau of Economic Research indicam que a maternidade reduz, em média, entre 20% e 30% a renda masculina ao longo da carreira, o chamado child penalty. Esses fatores ajudam a entender por que ter filhos passou a ser uma decisão mais complexa e, em muitos casos, uma escolha adiada.
Livro reúne experiências e análises sobre a decisão de ter filhos
A obra Ter ou não ter filhos, de Ruth Manus, reúne dados, relatos e reflexões para discutir os dilemas da decisão hoje. A autora conecta pesquisas e vivências de diferentes trajetórias, sem apresentar respostas prontas.
A autora, advogada e doutora em Direito Internacional pela Universidade de Lisboa, atua como palestrante e já lançou dez livros sobre gênero, trabalho e transformações sociais. O livro não foca em um modelo único, mas em caminhos possíveis a partir de contextos individuais.
Escolha reflete mudanças estruturais na sociedade
Além de padrões culturais, condições de vida contemporânea influenciam a decisão. Carreira, estabilidade financeira e redes de apoio pesam na balança, assim como saúde mental e planejamento de longo prazo.
Estudos recentes também incluem preocupações com o meio ambiente no conjunto de fatores. A escolaridade feminina, maior participação no mercado de trabalho e acesso a contraceptivos acompanham a mudança.
Pressão social permanece, mas assume novas formas
Mesmo com mudanças, a cobrança social sobre a maternidade continua presente. Mulheres que optam por não ter filhos enfrentam questionamentos; mães lidam com exigências de conciliar carreira e família.
O cenário atual mostra maior pluralidade de escolhas, associada a demandas simultâneas que exigem informações e discussões mais abertas sobre o tema.
Debate chega ao ambiente corporativo
As empresas passam a tratar licença parental, retenção de talentos e impacto da parentalidade na carreira como prioridades. O conteúdo do livro ganhou versão para palestras, inclusive durante o mês das mães.
Essas ações visam levar dados e reflexão para o dia a dia das equipes, ampliando o debate sobre como apoiar diferentes trajetórias de vida no trabalho.
Decisão tende a ser mais informada e individual
Observa-se uma transformação na construção de trajetórias de vida, com maior acesso à informação e diversas referências. Não existe modelo único; cabem escolhas alinhadas a contextos e prioridades pessoais.
O livro Ter ou não ter filhos propõe ampliar o repertório de opções, dialogando com mães e futuras mães, sem impor diretrizes ou julgamentos.
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