- Marc Restellini publicou, em seis volumes, o catálogo raisonné de Amedeo Modigliani, distribuído pela Yale University Press.
- O conjunto apresenta 100 obras recém autenticadas, com meia dúzia em museus, e removeu 15 peças por falta de evidência definitiva ou localização.
- A metodologia é forense: cada obra passa por avaliações documentais, estilísticas e científicas (espectrometria, carbono-14, infravermelho e imagem de raio X).
- O projeto enfrentou controvérsias e ameaças de morte no passado, incluindo disputas judiciais com o Wildenstein Institute e o Wildenstein Plattner Institute.
- Restellini afirma que o catálogo não é apenas a opinião dele, pois envolve uma equipe e evidências científicas; ainda não decide o peso definitivo de cada peça, mas busca evitar falsas.
Marc Restellini lança hoje o catágolo raisonné de Modigliani, em seis volumes, com 100 obras novas autenticadas e 15 obras removidas por falta de evidência definitiva. A obra é publicada pelo Institut Restellini e distribuída pela Yale University Press.
A coletânea reúne trabalhos avaliados com metodologia forense, incluindo análises científicas como espectrometria, carbono-14, infravermelho e radiografia. Cada peça é confrontada com evidências documentais e com o estudo estilístico, sob uma curadoria coletiva.
O projeto começou em 1997, com apoio do Wildenstein Institute, e enfrentou longos litígios e ameaças. Restellini afirma que não decide sozinho, mas se baseia em uma equipe que reúne dados científicos, históricos, arquivísticos e estéticos para concluir cada inclusão ou exclusão.
Seis volumes custam cerca de £2.000 e foram revisados por sete pessoas durante três meses cada. A obra já inclui 421 pinturas a óleo e três addenda, superando o catálogo anterior de referência, que era considerado incompleto.
Metodologia e controvérsias
Restellini destaca que a autenticidade não é opinião, mas fato. O catálogo evita registrar obras cuja autenticidade permanece ambíqua ou cuja localização é duvidosa. O historiador também aponta que alguns trabalhos conhecidos podem existir, mas não entram no conjunto por razões técnicas ou de acesso.
Ao longo dos anos, o pesquisador enfrentou disputas com outras instituições e ações judiciais. Em 2020 processou o Wildenstein Plattner Institute, questionando o acesso aos arquivos de Modigliani. O caso foi resolvido, com a divisão de materiais que embasam o estudo.
O lançamento inclui obras que estavam ausentes em catálogos anteriores e pode alterar o valor de peças já conhecidas. Restellini afirma que o objetivo é oferecer o retrato mais fiel possível, com método replicável, para além de preferências pessoais.
A próxima etapa envolve uma exposição de obras não listadas em catálogos anteriores, prevista para Pace New York, e um simpósio em 30 de abril. O foco será reimaginar o papel do catálogo raisonné na avaliação de Modigliani.
Entre na conversa da comunidade