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Brasileiro diz não checar informações antes de compartilhar

Pesquisa aponta queda de confiança em jornalismo e aumento do consumo de notícias por mensagens, com checagem baixa e influência de algoritmos

Pela primeira vez, o painel TIC investigou práticas de acesso, consumo e verificação de informações no Brasil - (crédito: Reprodução/ Canva)
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  • Quarenta e oito por cento dos internautas desconfiam sempre ou na maioria das vezes de notícias de veículos jornalísticos.
  • Apenas trinta e seis por cento dizem checar sempre a veracidade do que recebem em redes sociais ou mensagens; vinte e oito por cento verificam na maioria das vezes.
  • A informação chega majoritariamente por plataformas digitais: mensagens de aplicativo (sessenta por cento), vídeos curtos (cinquenta e dois por cento) e sites ou aplicativos de vídeo (cinquenta por cento).
  • Há diferença geracional: sessenta e cinco por cento da população se informa diariamente; entre jovens de dezesseis a vinte e quatro anos, o índice cai para quarenta e seis por cento, enquanto entre cinquenta e quatro e quarenta e nove anos chega a setenta e nove por cento.
  • Quarenta e um por cento dizem ter acesso diário a conteúdos manipulados; quarenta e sete por cento já utilizaram o ChatGPT, indicando maior uso de inteligência artificial.

O painel TIC divulgou dados sobre o consumo de notícias no Brasil, revelando queda de confiança no jornalismo e maior dependência de plataformas digitais. O estudo, fruto de parceria entre o Comitê Gestor da Internet, NIC.br e Cetic.br, aponta mudanças no modo de buscar, consumir e verificar informações.

Entre os principais achados, 48% dos internautas desconfiam de notícias de veículos jornalísticos com frequência, enquanto a desconfiança entre conteúdos de amigos ou mensagens é menor. Apenas 36% dizem checar sempre a veracidade do que recebem em redes, e 28% o fazem na maioria das vezes.

O estudo indica que o acesso a notícias ocorre principalmente por meios digitais. Mensagens instantâneas são utilizadas diariamente por 60% dos usuários, seguidas por feeds de vídeos curtos e sites de vídeo, com 52% e 50%, respectivamente. Telejornais aparecem em 45%.

A verificação de informações perde espaço para fatores subjetivos. Especialistas dizem que o excesso de conteúdo leva ao consumo automático, e a busca por confirmação se sobrepõe à busca pela verdade. A credibilidade passa a depender mais da proximidade do conteúdo do que da apuração.

Os algoritmos influenciam esse cenário ao priorizar conteúdos com maior engajamento. Conteúdos repetidos tendem a soar mais verdadeiros, ainda que não aprofundem o tema. Publicações alinhadas às crenças dos usuários ganham peso na percepção de credibilidade.

Diferenças geracionais aparecem no levantamento. Enquanto 65% da população se informa diariamente, jovens de 16 a 24 anos chegam a 46%. O fenômeno, chamado de news avoidance, reflete saturação de conteúdos negativos e desconexão com formatos tradicionais.

Entre as faixas etárias, 45 a 59 anos é a que apresenta maior consumo diário, com 79%. Especialistas apontam que a linguagem dos veículos tradicionais não atende aos formatos dinâmicos das redes, aumentando a distância entre público jovem e jornalismo.

Fatores práticos também tiram a verificação da prática cotidiana. 36% dizem esquecer de checar, 33% citam pouco tempo e 31% afirmam ter certeza da veracidade sem checagem. Ainda, 25% consideram a informação falsa e não checam.

Outras tendências apontadas incluem baixa disposição para pesquisar a veracidade e a influência da polarização. Cerca de 34% dos não verificadores concordam plenamente que não vale a pena checar, enquanto 30% citam polarização como obstáculo.

O estudo também revela desigualdade social no consumo de notícias. Pessoas com menor renda e escolaridade têm mais dificuldade para identificar conteúdos falsos, indicando limites de letramento midiático.

Além disso, 41% dos brasileiros relatam acesso diário a conteúdos manipulados, como deepfakes, o que aumenta os desafios de distinguir o real. Paralelamente, 47% já usaram o ChatGPT, e há uso crescente de assistentes em apps de mensagens (42%), Gemini (30%) e Copilot (14%).

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