- Oito cartas originais escritas à mão pelo poeta romântico John Keats, dirigidas a Fanny Brawne, foram devolvidas aos herdeiros de John Hay Whitney, após terem sido roubadas na década de 1980.
- As cartas, datadas entre 1819 e 1820, estavam em um portfólio encadernado a ouro, avaliadas em cerca de US$ 2 milhões, entre um conjunto de 37 documentos.
- O material foi recuperado entre 17 livros raros reaparecidos em Manhattan, após tentativa de venda por um interlocutor não identificado que alegou ter herdado os itens do avô.
- A apreensão ocorreu com apoio de a unidade de contrafação de antiguidades de Manhattan; a decisão de entregar os itens aos herdeiros ocorreu no início deste ano.
- Além de Keats, o conjunto inclui cartas de Oscar Wilde, uma edição de Finnegans Wake de James Joyce e White Stains de Aleister Crowley; os valores totais chegam a quase US$ 3 milhões e os herdeiros pretendem leiloar, destinando o lucro.
Dois terços de um conjunto de cartas originais do poeta romântico John Keats foram devolvidas aos herdeiros de John Hay Whitney, ex-embaixador dos EUA no Reino Unido. As oito cartas escritas à musa Fanny Brawne, entre 1819 e 1820, estavam entre itens furtados na década de 1980 de uma propriedade em Long Island. O conjunto inclui a primeira carta já escrita por Keats para Brawne, e a coleção, avaliada em cerca de US$ 2 milhões, está reunida em um portfólio encadernado em couro dourado.
As cartas de Keats, destacadas pela crise de roubo, surgiram após uma série de eventos investigativos que levaram à recuperação de mais de 6.200 itens culturais. O que se sabe é que o portfólio foi localizado entre 17 raridades que reapareceram em Manhattan em janeiro de 2025 após uma tentativa de venda a dois comerciantes de livros raros. Os itens foram apreendidos com apoio de mandados de busca.
A recuperação e o marco legal
O caso envolveu a unidade de tráfico de antiguidades de Manhattan, chefiada por Matthew Bogdanos, ex-oficial do Corpo de Fuzileiros Navais. O promotor Alvin Bragg descreveu a importância de impedir o comércio ilegal de obras de arte e antiguidades. No início deste ano, um juiz da Suprema Corte de Nova York autorizou a entrega dos livros aos herdeiros de Whitney e de Betsey Whitney.
Entre os itens recuperados constam também uma cópia de Finnegans Wake, de James Joyce, de 1939, quatro cartas de Oscar Wilde escritas durante o encarce, e um exemplar de White Stains, de Aleister Crowley, de 1898. O conjunto completo, avaliado em quase US$ 3 milhões, será vendido, com o dinheiro revertido aos herdeiros.
Contexto e histórico do roubo
Não há muitos detalhes sobre a origem do furto, mas sabe-se que, entre 1982 e 1989, pelo menos 28 livros foram subtraídos da propriedade de Whitney, um colecionador conhecido por seu acervo de obras raras. Whitney serviu como embaixador entre 1957 e 1961 e também foi editor do New York Herald Tribune.
O caso destaca o trabalho da ATU de Manhattan na recuperação de obras roubadas. Bogdanos enfatizou que o mercado de itens ilícitos enfrenta maior escrutínio, com ações destinadas a coibir o tráfico de arte e antiguidades na cidade. A operação ressalta ainda o papel de denunciantes no processo de recuperação de peças culturais.
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