- A exposição “Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?” apresenta pela primeira vez ao público 32 quadros do pintor gaúcho, morto em 2016 aos 66 anos, na galeria Dan, em São Paulo.
- As obras alternam máscaras em tons sombrios com figuras de olhos semiabertos, sugerindo transe ou introspecção, e remetem à ancestralidade do artista.
- A curadora Maria Alice Milliet destaca que as máscaras africanas influenciam as telas, associadas à origem indígena e africana da mãe de Granato.
- Em conjunto com as pinturas, a mostra exibe máscaras africanas reais para evidenciar a relação entre artefatos e as obras.
- Milliet ressalta que Granato era performer; a exposição traça esse espírito vanguardista, ligado aos gestos e à encenação que marcavam sua trajetória.
A mostra reúne pela primeira vez um conjunto de telas de Ivald Granato, morto em 2016 aos 66 anos. São 32 trabalhos que ocupam a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, na Galeria Dan, na zona oeste de São Paulo. As obras dialogam com máscaras de origem africana e com referências à ancestralidade do artista.
Integra a exposição um recorte menos conhecido da produção de Granato, em que as máscaras aparecem intercaladas entre tons sombrios. Em algumas peças, os olhos permanecem semiabertos, sugerindo transe ou introspecção. A curadora da mostra assinala esse eixo de pesquisa.
A curadora Maria Alice Milliet aponta que as máscaras dialogam com a origem do pintor, nascido em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Ela explica que o interesse visual recorre às formas das máscaras africanas, com contornos alongados e olhos entreabertos.
Para reforçar o tema, a curadora exibe máscaras africanas reais ao lado das telas, evidenciando a relação entre objetos e obras de Granato. A presença de um livro com reproduções dessas máscaras no ateliê do artista reforça a linha curatorial da mostra.
Granato também é lembrado pela sua verve performática. Milliet ressalta que o artista costumava atuar de modo contundente, tanto na criação quanto na presença em eventos, o que se refletia na linguagem gestual de suas telas.
Entre as referências históricas, a curadora cita uma participação marcante do artista em um happening na Rua Augusta, nos anos 1970, quando ele reuniu Theorías de contracultura e buscou romper formatos tradicionais de exposição e público.
A mostra, portanto, propõe não apenas uma leitura histórica, mas também uma ponte entre origens, performances e pesquisa visual. A curadora reforça que Granato era visto como uma figura crítica e inquieta na cena artística brasileira.
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